Caravana passou pelos 79 municípios do Estado com cirurgias, microchipagem, medicamentos e acompanhamento veterinário
A Caravana da Castração chegou aos 79 municípios de Mato Grosso do Sul e realizou 25 mil procedimentos gratuitos em cães e gatos. Além da cirurgia, os animais atendidos receberam microchipagem, medicação, itens para o período pós-operatório e acompanhamento veterinário.
A iniciativa foi criada pelo Governo de Mato Grosso do Sul dentro das ações estaduais voltadas à proteção animal. Para famílias que não conseguem arcar com o procedimento na rede particular, a oferta gratuita representa uma alternativa. De acordo com relatos de pessoas que atuam na área, uma castração pode custar entre R$ 600 e R$ 1,2 mil, dependendo do animal e do procedimento.
Uma dessas pessoas é Joice Gonçalves, que passou a atuar com a causa animal depois de trabalhar em uma clínica veterinária. O contato diário com tutores, protetores e entidades fez com que ela conhecesse de perto as dificuldades enfrentadas por quem cuida de cães e gatos.
Segundo Joice, o custo da cirurgia ainda é um obstáculo para muitas famílias.
“A Caravana é muito importante principalmente para a população mais carente, que não tem condições de fazer a cirurgia no seu animal, pois ela custa de R$ 600 a R$ 1,2 mil, dependendo do procedimento. Não cabe no bolso de muitas famílias, que amam seus animais, mas não fazem por não terem dinheiro”, afirma.
Para quem trabalha com proteção animal, a castração também está relacionada ao controle da reprodução e à redução do número de animais abandonados. Joice afirma que organizações e protetores independentes já enfrentam uma demanda elevada.
“As ONGs que trabalham nesta causa já estão no limite, a demanda é muito grande. A caravana inclusive tem que continuar, tem muita gente esperando para conseguir a cirurgia”, relata.
Atendimento além da cirurgia
A Caravana tinha como meta inicial realizar cerca de 20 mil procedimentos. Com a ampliação do programa, a capacidade chegou a 25 mil cirurgias.
Durante os atendimentos, os animais também passaram por microchipagem e receberam medicação pós-operatória, roupa cirúrgica ou colar protetor. O programa contou ainda com suporte veterinário para eventuais intercorrências e ambulância veterinária durante as ações.
Com a ampliação de 20 mil para 25 mil cirurgias, o contrato chegou a R$ 5.587.500. Segundo as informações divulgadas pelo governo, R$ 5 milhões foram viabilizados por meio de emenda parlamentar da senadora Soraya Thronicke.
O então governador Eduardo Riedel afirmou que a iniciativa também está relacionada à saúde pública e à responsabilidade dos tutores.
“Não é apenas uma causa animal, mas de saúde pública e que envolve toda sociedade. Na nossa gestão é política de Estado”, declarou.
A microchipagem permite associar o animal a informações de identificação e ao tutor responsável. O dispositivo não funciona como rastreador de localização. A ferramenta pode ser utilizada para auxiliar no controle cadastral e em políticas públicas relacionadas ao abandono e aos maus-tratos.
Para Sonia Marly Gonçalves, do Instituto Mãe de Pets, a gratuidade facilita o acesso de famílias que não conseguem pagar pelo procedimento.
“Realizou de forma gratuita inúmeras castrações por todo Estado. Não podemos esquecer que castrar é um ato de amor”, afirma.
Sistema reúne dados dos animais
As ações são coordenadas pela Suprova, Superintendência de Políticas Integradas de Proteção da Vida Animal, ligada à Setesc, Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura.
O Estado também mantém o Programa MS Vida Animal, que reúne ações relacionadas ao controle populacional, identificação, educação e enfrentamento aos maus-tratos e ao abandono.
Outra ferramenta utilizada é o SigPet, plataforma que reúne informações sobre tutores e animais e permite solicitar vagas para castração. O sistema também registra dados relacionados à identificação e à microchipagem.
Entidades e protetores independentes podem ser cadastrados na plataforma. A proposta é reunir informações sobre a demanda existente nas diferentes regiões e auxiliar no planejamento de novas ações.
Segundo Carlos Eduardo Leite, superintendente da Suprova, a estrutura permite organizar as demandas relacionadas à proteção animal.
“Além de criar uma estrutura específica para coordenar essa área, colocou em prática projetos que chegaram aos municípios e produziram resultados concretos”, afirmou.
Mesmo com os 25 mil procedimentos realizados, a procura continua. Em abril, quando a Caravana havia ultrapassado 20 mil atendimentos em 63 municípios, já havia registros de demanda superior ao número de vagas disponíveis.
Para quem atua diretamente com a proteção animal, a continuidade das ações é apontada como necessária diante do número de famílias que buscam atendimento e da quantidade de animais acolhidos por entidades e protetores.






