Modelo tripartite divide responsabilidades entre União, estados e municípios para garantir atendimento em todo o país
O funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) envolve uma engrenagem complexa que vai além do atendimento nas unidades de saúde. Por trás de consultas, exames e cirurgias, existe um modelo de gestão compartilhada entre União, estados e municípios, conhecido como gestão tripartite.
Esse sistema organiza tanto o financiamento quanto a execução das ações de saúde pública no país, permitindo que os recursos cheguem desde serviços básicos, como vacinação, até atendimentos de alta complexidade em hospitais.
Na prática, cada esfera de governo tem um papel definido. A União é responsável por políticas nacionais e repasses de recursos; os estados coordenam a rede regional de saúde e dão suporte aos municípios; enquanto as prefeituras executam a maior parte dos atendimentos, principalmente na atenção básica.
Grande parte do dinheiro que financia o SUS chega aos estados e municípios por meio de transferências chamadas de “fundo a fundo”. Nesse modelo, os recursos saem do Fundo Nacional de Saúde e são distribuídos para fundos estaduais e municipais, que utilizam os valores para manter serviços, programas e ações voltadas à população.
De acordo com o secretário estadual de Saúde, Maurício Simões Corrêa, a articulação entre os երեք níveis é essencial para que o sistema funcione de forma eficiente. “O financiamento é compartilhado, mas só se concretiza quando chega na ponta, no atendimento à população”, destaca.
Os recursos públicos são aplicados em diversas áreas, como atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), serviços de urgência e emergência, realização de exames e cirurgias, campanhas de vacinação e manutenção de hospitais. Também custeiam medicamentos, equipamentos e o pagamento de profissionais da saúde.
Em Mato Grosso do Sul, os investimentos na área seguem acima do mínimo exigido por lei. Dados do Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior apontam que, em 2025, o Estado aplicou mais de R$ 2,95 bilhões em ações e serviços públicos de saúde. Desse total, R$ 2,39 bilhões foram de recursos próprios, o que representa 12,26% da receita estadual.
Apesar do financiamento ser dividido, a execução direta da maior parte dos serviços fica a cargo dos municípios, especialmente na atenção primária. Já o Estado atua na organização da rede regional e na oferta de atendimentos de média e alta complexidade, como hospitais especializados e programas estratégicos.
A estrutura tripartite permite que o SUS funcione como uma rede integrada, garantindo que a população tenha acesso a diferentes níveis de atendimento, do posto de saúde aos centros especializados. Segundo o secretário, esse modelo é fundamental para ampliar o acesso e melhorar a qualidade dos serviços em todas as regiões.






