Votação foi adiada após pedido de vista e deve avançar após o carnaval
A análise do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia pelo Congresso Nacional será retomada no próximo dia 24 de fevereiro. A discussão ocorre no âmbito da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, após a sessão desta terça-feira (10) ser interrompida por um pedido de vista do deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE).
Com a suspensão, a votação do relatório apresentado pelo presidente do colegiado, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), ficou para daqui a duas semanas. No documento, Chinaglia destaca que o tratado estabelece uma ampla área de livre comércio entre os blocos, prevendo redução gradual de tarifas, preservação de setores sensíveis, além de salvaguardas e mecanismos para solução de controvérsias.
Vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) classificou o acordo como estratégico e ressaltou que o texto representa uma decisão de Estado, após mais de 20 anos de negociações. Ex-ministra da Agricultura, ela participou do fechamento da parte comercial do tratado, em Bruxelas, em 2019.
Segundo a senadora, o acordo pode ampliar a competitividade, estimular a inovação e fortalecer o agronegócio brasileiro, mesmo diante das salvaguardas adotadas pela União Europeia. Ela também lembrou a aprovação da Lei da Reciprocidade, da qual foi relatora, como um instrumento de proteção aos produtos nacionais contra possíveis barreiras comerciais.
Já o presidente da Comissão de Relações Exteriores e vice-presidente da Representação no Parlasul, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), destacou os impactos econômicos do acordo. Para ele, além do aumento das exportações e da geração de emprego e renda, os consumidores brasileiros devem sentir os efeitos com a redução de preços de produtos importados.
De acordo com o senador, itens como vinhos, chocolates, medicamentos, máquinas e veículos europeus tendem a ficar mais acessíveis, enquanto os produtos brasileiros ganharão competitividade no mercado europeu. A expectativa é concluir a votação do relatório após o carnaval e encaminhar o texto ao Plenário da Câmara e, posteriormente, ao Senado.






