Policial civil já estava preso por outro procedimento e é investigado em operação que apura tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro e participação de agentes de segurança em organização criminosa
A defesa do delegado da Polícia Civil Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa afirmou que ainda não teve acesso às provas que fundamentaram o novo mandado de prisão preventiva cumprido contra ele nesta quarta-feira (4), durante a Operação Ifrit, da Polícia Federal. Em nota, os advogados disseram que só vão se manifestar sobre as novas acusações após analisar integralmente a investigação.
Segundo a defesa, Hoffman já estava sob custódia cautelar por causa de outro procedimento. Com o cumprimento da nova ordem judicial, ele foi encaminhado à unidade prisional competente.
Os advogados também informaram que ainda não tiveram acesso à decisão que determinou a prisão nem aos elementos que embasaram as medidas da operação. A defesa afirma que, após consultar os autos, vai avaliar o caso e adotar as medidas judiciais cabíveis.
Na nota, os representantes do delegado ressaltam que medidas cautelares não significam condenação e que a responsabilidade penal deve ser analisada durante o devido processo legal, com garantia de ampla defesa e contraditório.
Operação investiga organização criminosa com atuação na fronteira
Deflagrada nesta quarta-feira pela Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal, a Operação Ifrit investiga uma organização criminosa transnacional suspeita de envolvimento com tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro e crimes violentos.
A ação cumpre 76 mandados de busca e apreensão e 26 de prisão, sendo 25 preventivas e uma temporária, em sete estados: Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia. Também foram determinadas três medidas de monitoramento eletrônico e o afastamento de três policiais civis.
A investigação apura a possível participação de integrantes das forças de segurança no esquema. Entre os investigados estão policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul e um policial rodoviário federal.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo seria liderado por um núcleo familiar e teria ligação com facções criminosas. A principal área de atuação seria a região de fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, no Paraguai.
As apurações indicam que drogas e armas eram obtidas na Bolívia, no Peru e no Paraguai. O material abasteceria redes de distribuição no Brasil e rotas internacionais de tráfico de drogas com destino à Europa, principalmente Espanha e Portugal.
Ainda segundo a investigação, a organização utilizava armamento, veículos blindados e estruturas de apoio para controlar territórios e intimidar grupos rivais. O esquema também é investigado por possíveis envolvimentos em sequestros, torturas, atentados e homicídios.






