O dicionário Michaelis traz 15 definições para a palavra “amor”. A primeira delas descreve como “sentimento que leva uma pessoa a desejar o que se lhe afigura belo, digno ou grandioso”. A segunda faz referência a uma “grande afeição que une uma pessoa a outra”.
Mas será que o ato de amar se manifesta somente da forma que as linhas do dicionário traduzem?
Fernando Gomes em entrevista para o Caminhos da Reportagem – TV Brasil
Notícias relacionadas:Mulheres marcam noite do Oscar 2026 com conquistas históricas .Para o neurocientista Fernando Gomes, “desde criança, todo mundo começa a entender que existe a necessidade de você ter uma pessoa ou alguém para você amar ou, pelo menos, vivenciar uma história romântica”.
A professora de português e literatura Ana Maria de Matos Viegas, quando criança, tinha uma ideia idealizada de amor: “Na quinta série primária, eu já tinha um caderno de música, e a primeira música do caderno era A Minha Namorada, do Vinícius. Daí pra cima. Era essa ideia muito romântica do amor, do tudo certo”, explica.
Geni Núñez explica que a idealização do amor tem raízes no conceito de amor romântico- TV Brasil
A psicóloga Geni Núñez explica que essa forma idealizada de enxergar o amor tem raízes no conceito de “amor romântico”. Para ela, esse tipo de amor tem a “inspiração platônica de que só é verdadeiro aquilo que é complementar. Então, a gente vai ver no senso comum a ideia de metade da laranja, a tampa da panela”.
Renato Noguera, filósofo, complementa este pensamento ao mostrar como os contos de fadas, assim como os livros, filmes, novelas, exaltam essa forma de amar.
Renato Noguera mostra que os contos de fadas influenciam na construção do amor ideal – TV Brasil
“Quando a gente fala de amor romântico, tem uma genealogia, tem uma evolução. A gente pode imaginar Romeu e Julieta: o Romeu ali falando com a Julieta no balcão, ela numa sacada aos trovadores […] Aquela cena que todo mundo deve ter visto, que é alguém pedindo outra pessoa em casamento, dobrando um joelho, oferecendo uma joia, oferecendo um anel”, exemplifica.
O matrimônio era, para a bibliotecária Mónica Aliseris, a única opção. “Não tinha uma coisa natural, era assim: você um dia vai se apaixonar, vai se casar e vai ter filhos. Nunca pensei em outra coisa porque não tinha outro repertório”, enfatiza.
Ana e Mónica (foto em destaque) se casaram, tiveram filhos, se separaram e se conheceram quando tinham quase 50 anos. Para elas, que se casaram em 2019, o etarismo é uma questão que precisa ser mais discutida quando o assunto é amor:
“O etarismo é uma coisa que está precisando ganhar mais espaço, ser mais discutido para fortalecer as pessoas, para não ficarem mais nesse cantinho onde o velho perdeu todo o valor. E tem também uma coisa de relacionamentos antigos que, de repente, saem do armário. Moram juntos, são amigos, são amigas… Não, não, são um casal”.
Além da história de Ana e Mónica, o Caminhos da Reportagem conta outras quatro histórias de amor que abordam temas como assexualidade, transfobia, capacitismo e luto. O programa vai ao ar nesta segunda-feira (23), às 23h, na TV Brasil.