Previsão indica temperaturas acima da média e chuvas irregulares entre novembro e janeiro; Estado já capacitou 675 profissionais de saúde para atender ocorrências relacionadas a eventos climáticos extremos
Mato Grosso do Sul deve enfrentar um trimestre de temperaturas acima da média histórica, com possibilidade de ondas de calor e tempestades severas. A previsão do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) indica que, entre novembro e janeiro, o El Niño deve influenciar as condições climáticas no Estado, com tendência de chuvas acima da média, mas distribuídas de forma irregular entre as regiões.
O cenário combina calor intenso, períodos de instabilidade e possibilidade de tempestades de curta duração, acompanhadas de chuva forte, vendavais, raios e queda de granizo.
Segundo a meteorologista e coordenadora do Cemtec, Valesca Fernandes, a previsão de chuva acima da média não significa que todos os municípios terão o mesmo comportamento climático. Mato Grosso do Sul apresenta grande variação nas condições atmosféricas, o que pode provocar diferenças significativas nos volumes de precipitação.
“ O trimestre, entre novembro e janeiro, tem tendência de chuvas acima da média, mas podem ocorrer períodos de estiagem, distribuição irregular, diferenças significativas entre regiões e municípios”, explica Valesca.
El Niño pode atingir intensidade muito forte
A previsão para os próximos meses indica a permanência do El Niño, com possibilidade de o fenômeno alcançar a categoria muito forte. Além de elevar as temperaturas, o fenômeno pode influenciar a distribuição das chuvas e favorecer episódios de calor intenso.
De acordo com o Cemtec, o aquecimento durante o dia contribui para a formação de instabilidades atmosféricas, aumentando as condições para tempestades localizadas e intensas.
O cenário, no entanto, apresenta diferenças em relação aos anos de 2023 e 2024. Naquele período, o El Niño esteve associado a temperaturas elevadas e a um déficit expressivo de chuvas, criando condições favoráveis à propagação de grandes incêndios florestais.
“Embora o Estado já tenha registrado algumas ondas de calor e episódios de temperaturas acima da média histórica, o cenário atual difere de 2023 e 2024”, destaca a coordenadora do Cemtec.
Estado capacita profissionais de saúde para enfrentar eventos extremos
Diante da previsão climática, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) intensificou a preparação da rede pública para atender possíveis impactos de ondas de calor, secas, queimadas e chuvas intensas. Desde agosto, 675 profissionais foram capacitados para atuar em situações de emergência relacionadas a eventos climáticos extremos.
Os treinamentos abrangem as nove regiões de saúde de Mato Grosso do Sul e incluem orientações clínicas, protocolos de emergência e avaliação da estrutura dos municípios para responder a ocorrências desse tipo.
A programação também chegou a Porto Murtinho nos dias 20 e 21 de outubro, com mais de 25 profissionais treinados. A inclusão do município no plano estadual considera sua importância estratégica no contexto da Rota Bioceânica.
Além dos municípios, as capacitações contemplaram profissionais da saúde indígena. Em 31 de agosto, 51 integrantes do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) participaram de uma atividade voltada à preparação para o atendimento de populações vulneráveis.
Entre os polos regionais, Bonito contabilizou 101 profissionais capacitados, seguido por Coxim, com 77, e Campo Grande, com 76. Também participaram das atividades equipes de Dourados, Corumbá, Nova Andradina, Chapadão do Sul, Ponta Porã e Três Lagoas.
Preparação busca reduzir riscos à população
A capacitação dos profissionais tem como objetivo ampliar a capacidade de resposta dos serviços de saúde diante de situações que podem provocar desidratação, agravamento de doenças e outras complicações associadas ao calor e a eventos climáticos extremos.
Segundo o coordenador da Coordenação do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) da SES, Karyston Adriel da Costa, reconhecer os riscos e prestar atendimento adequado são medidas essenciais para reduzir os impactos sobre a população.
“Em situações de eventos climáticos extremos, a identificação precoce dos riscos e o atendimento adequado fazem diferença na prevenção de complicações. Por isso, é importante que os profissionais estejam preparados para reconhecer os agravos relacionados a esses eventos e adotar as condutas necessárias em cada situação”, afirma.
Com a previsão de calor acima da média e chuvas irregulares nos próximos meses, o monitoramento das condições climáticas e a preparação dos serviços de saúde serão importantes para reduzir os riscos e responder a possíveis emergências em Mato Grosso do Sul.





