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Hanseníase: Semana Estadual reforça importância do diagnóstico precoce e combate ao preconceito

Hanseníase: Semana Estadual reforça importância do diagnóstico precoce e combate ao preconceito

A Onça by A Onça
13:59 segunda-feira, 5 janeiro 2026
in Assembléia Legislativa, MS, Política
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É hanseníase”. O nome da doença historicamente marcada por preconceito e a convicção da médica que deu o diagnóstico prévio desestabilizaram Simone Oliveira Ortiz, que só vislumbrou uma saída: negar a realidade. “Não, não é”, disse, enfática. Ela tinha apenas 21 anos e ainda não havia associado as dores intensas nas articulações, os nódulos na pele e o cansaço constante à hanseníase. Sete anos depois, hoje aos 30, Simone está curada, leva uma vida normal e tem muita energia para a rotina intensa como professora de Educação Infantil.

O sucesso do tratamento de Simone foi possível graças ao diagnóstico feito ainda na fase inicial da doença, fator determinante para ampliar as chances de cura. A história da professora ilustra a importância da Semana Estadual de Conscientização, Prevenção e Combate à Hanseníase e à Verminose, instituída pela Lei 4.436/2013. A normativa, aprovada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) há 12 anos, soma-se ao Janeiro Roxo, iniciativa nacional de enfrentamento à hanseníase. As campanhas são realizadas no início do ano, devido aos dias Nacional e Mundial contra a doença, respectivamente em 26 e no último domingo de janeiro.

Hanseníase: Semana Estadual reforça importância do diagnóstico precoce e combate ao preconceito
Zé Teixeira, autor da lei, reforça a importância do combate às doenças
(Foto: Luciana Nassar)

Essas datas e campanhas buscam informar a população sobre a doença, o combate ao preconceito, a identificação precoce dos sintomas e a procura por atendimento médico. Esses objetivos são reforçados pelo deputado Zé Teixeira (PSDB), autor da Lei 4.436/2013. Para ele, o preconceito ainda é um dos maiores obstáculos no enfrentamento da hanseníase, pois faz com que muitas pessoas escondam os sintomas e retardem a busca por atendimento. “Esse silêncio leva a diagnósticos tardios, quando a doença já causou danos irreversíveis”, considera.

O parlamentar ressalta que, no caso da hanseníase, quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores são as chances de cura e menores os riscos de sequelas permanentes e de transmissão. Já em relação às verminoses, Zé Teixeira chama atenção para os impactos no desenvolvimento físico e nutricional, especialmente de crianças que vivem em regiões com deficiência de saneamento básico. “A campanha também mobiliza ações simples e eficazes, como higiene, tratamento adequado e educação em saúde”, afirma.

“Hoje existe tratamento, tem cura”, diz professora curada da hanseníase

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O diagnóstico em tempo oportuno mudou o rumo da história de Simone. Antes disso, ela passou quase um ano tratando os sintomas como alergia. “Eu fazia exames e ninguém conseguia dizer o que eu tinha. Nem os médicos conseguiam dar um diagnóstico correto”, relembra.

Professora Simone, que enfrentou a hanseníase e hoje está curada
(Foto: Arquivo pessoal)

A situação mudou quando a professora foi atendida em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) por uma médica que havia trabalhado no Hospital São Julião, referência no tratamento da hanseníase. “Comecei a ficar muito doente, sempre indo ao posto. Numa dessas vezes, fiquei gripada e estava sem voz. Então, minha cunhada foi comigo. A médica que me atendeu no UPA tinha sido residente no São Julião. Ela me perguntou o que eu estava sentindo, se tomava alguma medicação, e minha cunhada falou que eu tomava antialérgico”, conta.

Foi nessa consulta que foi dado, mesmo de forma preliminar, o diagnóstico correto. “A médica viu os nódulos e falou que era hanseníase. Aí – eu brinco que não sei onde que encontrei minha voz de novo –  disse que não, que não era não”, lembra a professora.

Orientada pela médica, Simone buscou, na mesma semana, atendimento especializado no Hospital São Julião. Lá, a suspeita foi confirmada após avaliação clínica e biópsia. À época, a professora convivia com dores intensas nas articulações, nódulos espalhados principalmente pelos braços e pernas, coceira persistente — mais acentuada durante a noite — e um cansaço constante, sintomas que, por quase um ano, foram tratados como alergia, sem resposta aos medicamentos.

Com o organismo já debilitado, Simone apresentou uma anemia severa em razão da medicação inicial e precisou ficar internada por cerca de um mês. Depois disso, entrou na fase do tratamento ambulatorial, com acompanhamento regular da equipe do Hospital São Julião. Afastou-se temporariamente do trabalho, mas não interrompeu os estudos.

Hospital São Julião oferece tratamento de hanseníase pelo SUS
(Foto: Assessoria de imprensa)

Hoje, aos 30 anos, Simone está curada e trabalha como professora de Educação Infantil na rede municipal de ensino. “Tenho uma vida completamente normal”, afirma. O acompanhamento cuidadoso e o atendimento humanizado foram, segundo Simone, decisivos para superar o período mais difícil. “Eu sentia que não estava apenas indo ao médico, mas sendo cuidada”, afirma.

Ao compartilhar sua história, Simone reforça a importância da informação e do combate ao preconceito. Para ela, o estigma ainda associado à hanseníase é um dos maiores obstáculos para o diagnóstico precoce. “As pessoas precisam perder essa ideia de que é uma doença que exige isolamento. Hoje existe tratamento, existe cura”, destaca.

A mensagem que deixa é direta: “Ao perceber manchas, nódulos ou alterações persistentes no corpo, é fundamental procurar atendimento médico e evitar a automedicação”. O acolhimento e o diagnóstico correto são fundamentais para vencer a doença — e o preconceito que ainda a cerca.

Hanseníase no Brasil e MS: alguns números

Arte: Osvaldo Júnior

Milhares de brasileiros recebem, todos os anos, o mesmo diagnóstico da professora Simone. De acordo com relatório divulgado no ano passado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil registrou 22.129 novos casos de hanseníase em 2024, permanecendo em segundo lugar em notificações da doença, atrás apenas da Índia, com 100.957 registros. Os dois países juntos respondem por 71% dos casos globais.

A atenção aos números relativos tornam a situação do Brasil ainda mais preocupante. A Índia, país mais populoso do mundo, tem cerca de seis vezes mais habitantes que o Brasil. Assim, proporcionalmente à população, os dados brasileiros são os piores do mundo.

O Datasus, ferramenta de informação do Ministério da Saúde, mostra que o país contabilizou, de 2016 a agosto des 2025, 290.041 casos novos de hanseníase. No mesmo período, Mato Grosso do Sul registrou 4.376 notificações da doença. Esse número se aproxima ao da população de municípios pequenos do estado, como Alcinópolis (4.649 habitantes) ou Novo Horizonte do Sul (4.801).

Apenas em 2025, até o mês de agosto (última atualização), o Ministério da Saúde contabiliza 14.964 novos casos de hanseníase no Brasil e 192 em Mato Grosso do Sul.

Confira aqui os dados do Datasus sobre hanseníase. 

“Endemia oculta”, define especialista

Mesmo expressivos, esses números não refletem toda a realidade conforme observa o dermatologista e hansenólogo da Unimed Campo Grande, Augusto Afonso de Campos. “Em Mato Grosso do Sul, os indicadores apontam para uma endemia oculta, ou seja, o número de casos notificados está abaixo da realidade”, afirmou o médico, que também atende no Hospital São Julião.

Médico Augusto Afonso explica sobre sintomas e tratamento
(Foto: Assessoria de imprensa)

De acordo com o especialista, o principal desafio no enfrentamento da hanseníase é a identificação precoce. “O maior desafio é o diagnóstico precoce, que depende exclusivamente do conhecimento clínico da doença, uma vez que não há um exame capaz de certificar a hanseníase”, explica. A dificuldade em reconhecer os sinais iniciais faz com que muitos pacientes cheguem aos serviços de saúde apenas quando as lesões já estão avançadas, aumentando o risco de sequelas físicas, sociais e emocionais.

O tratamento, no entanto, é eficaz e está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da poliquimioterapia recomendada pela OMS. Quando iniciado precocemente, garante a cura e interrompe a transmissão. “Sem tratamento ou com tratamento tardio, podem surgir danos aos nervos, perda de sensibilidade, deformidades permanentes e impactos sociais, psicológicos e econômicos, o que reforça a urgência do diagnóstico precoce”, alerta o médico.

“Hábitos de higiene e saneamento ajudam a evitar verminoses”, diz médico

Arte: Osvaldo Júnior

Além da hanseníase, o médico chama atenção para as verminoses, que continuam sendo um problema relevante de saúde pública, especialmente entre crianças. Segundo Augusto de Campos, a prevenção depende de medidas simples, mas eficazes, que envolvem tanto os cuidados diários da população quanto políticas públicas estruturantes. “A maioria das verminoses pode ser evitada com hábitos básicos de higiene e com melhores condições de saneamento”, ressalta.

Conforme o dermatologista, ações como a higienização das mãos antes das refeições e após o uso do banheiro, o consumo de água tratada, a lavagem adequada dos alimentos e o uso de calçados para evitar o contato com solo contaminado são fundamentais para reduzir o risco de infecção.

Ele também destaca a importância da destinação correta do esgoto e do lixo, da vermifugação periódica orientada pelas unidades de saúde e de iniciativas de educação em saúde em escolas e comunidades. “Essas medidas reduzem infecções, favorecem o desenvolvimento infantil e impactam diretamente os indicadores de saúde coletiva”, afirma.

Clique aqui e leia a entrevista completa com o Dr. Augusto Afonso de Campos.

Semana Estadual

Instituída pela Lei 4.436/2013, a Semana Estadual de Conscientização, Prevenção e Combate à Hanseníase e à Verminose integra é realizada anualmente no mês de janeiro em Mato Grosso do Sul. A campanha reforça a importância da informação e do enfrentamento a doenças que ainda impactam a saúde pública, especialmente entre populações mais vulneráveis, promovendo ações educativas e preventivas em todo o estado.

Entre os objetivos da Semana estão a intensificação de campanhas públicas com a atuação de profissionais qualificados, a orientação sobre cuidados básicos de higiene domiciliar e pessoal e a prevenção da transmissão das doenças. A lei também estimula a integração entre órgãos públicos, entidades privadas, universidades e voluntários, criando oportunidades para ações conjuntas e para a participação de acadêmicos em atividades com a população.

Serviço

Caso tenha sintomas suspeitos de hanseníase ou de verminoses, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência.

No caso da hanseníase, a referência em Mato Grosso do Sul é o Hospital São Julião, que atende pelo SUS e é especializado no diagnóstico, tratamento e reabilitação de pessoas acometidas pela doença. O hospital fica na rua Lino Villacha, 1250, Campo Grande. O telefone é: (67) 3358-1500.

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Tags: ALEMSAssembléia LegislativaMSpolítica

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