Denúncia da Operação Infiltrados envolve 23 pessoas e aponta suspeita de retirada irregular de entorpecentes apreendidos; em procedimento relacionado, advogado é investigado por vazamento de informações e teve prisão temporária revogada pela Justiça.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul pede R$ 10 milhões em indenização por danos morais coletivos contra o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa e outras 22 pessoas, denunciadas por suspeita de envolvimento em um esquema de desvio de drogas apreendidas pela polícia. Em um desdobramento relacionado à Operação Infiltrados, o advogado Amilton Ferreira de Almeida, de 60 anos, é investigado por supostamente vazar informações sigilosas e teve a prisão temporária revogada pela Justiça de Campo Grande.
A denúncia contra o delegado e os outros 22 investigados foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) no dia 9 de outubro. Segundo o Ministério Público, parte dos entorpecentes apreendidos não era registrada oficialmente ou desaparecia do depósito de uma delegacia para ser devolvida a traficantes.
Hoffman, que chefiou a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico, é apontado pela acusação como um dos possíveis líderes do esquema. Além de responsabilizar os denunciados pelos fatos investigados, o Ministério Público pede o pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, sob o argumento de que as condutas teriam abalado a confiança da população nas instituições de segurança pública. O valor ainda depende de decisão judicial.
Advogado é investigado por vazamento de informações
Em outro procedimento ligado à operação, o advogado Amilton Ferreira de Almeida é investigado por suspeita de repassar informações sigilosas para tentar evitar a prisão do delegado Hoffman. Nesse caso, o Ministério Público pediu a prisão preventiva do advogado.
A Justiça, no entanto, revogou a prisão temporária de Amilton e considerou suficientes medidas cautelares alternativas. Para deixar a prisão, ele deverá pagar fiança de R$ 48.630, usar tornozeleira eletrônica por 180 dias e não manter contato com os demais investigados. A liberação depende da comprovação do pagamento da fiança.
Os dois casos envolvem suspeitas distintas: o delegado é citado na denúncia sobre o suposto desvio de drogas, enquanto o advogado é investigado por possível vazamento de informações sigilosas. Até o momento, não há informação sobre o recebimento da denúncia contra os 23 envolvidos, que ainda não são réus nesse processo.






