Operação nacional mira furto e fraude no transporte de cargas e já levou a pedidos de prisão e bloqueio de patrimônio
Quase 100 toneladas de soja que deveriam chegar ao destino contratado foram desviadas em Mato Grosso do Sul, segundo investigações realizadas durante a 2ª edição da Operação Redecarga. A ação, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, ocorreu entre 27 de julho e 7 de agosto e contou com a participação das forças de segurança de todo o país.
No Estado, as investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos e pelo Núcleo de Recuperação de Ativos. Ao todo, foram identificadas duas cargas de soja desviadas, que juntas somam aproximadamente 98,6 toneladas e estão avaliadas em cerca de R$ 198 mil.
Um dos casos envolve cerca de 60 toneladas de soja, equivalentes a aproximadamente mil sacas e avaliadas em R$ 100 mil. A carga deveria ser entregue em uma unidade armazenadora de Mato Grosso do Sul, mas nunca chegou ao local indicado.
Durante as apurações, os investigadores encontraram indícios de fraude no transporte, incluindo uso de identificação falsa ou incompleta, adulteração de sinais identificadores dos veículos e deslocamento por uma rota incompatível com o destino informado na contratação.
Em outra ocorrência, foram desviadas aproximadamente 38,6 toneladas de soja, avaliadas em R$ 98 mil. Embora os registros indicassem que a mercadoria teria sido entregue, a empresa responsável pelo recebimento afirmou que não recebeu a carga. Também não foi localizado comprovante válido de descarga.
As investigações apontaram ainda que situações semelhantes já haviam ocorrido anteriormente, com indícios de mecanismos utilizados para dificultar a identificação dos responsáveis e a localização dos veículos envolvidos.
Como resultado do trabalho, três suspeitos foram identificados e a polícia solicitou à Justiça a prisão preventiva deles. Os investigados são considerados foragidos.
Além da responsabilização criminal, as forças de segurança também atuaram para atingir o patrimônio ligado ao esquema. Foi solicitado o leilão antecipado de um caminhão-trator apreendido durante as investigações, avaliado em R$ 247,7 mil.
A medida tem como objetivo evitar que o veículo perca valor enquanto permanece apreendido e preservar o patrimônio para eventual ressarcimento das vítimas. Caso autorizado, o bem poderá ser convertido em dinheiro, que ficará depositado judicialmente.
A Operação Redecarga reuniu as polícias civis das 27 unidades da Federação, a Polícia Rodoviária Federal e integrantes da Rede Nacional de Recuperação de Ativos. A ofensiva busca combater não apenas furtos e roubos de cargas, mas também receptação, fraudes na logística, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Em Mato Grosso do Sul, o trabalho teve como foco principal o transporte de produtos agrícolas. Para identificar as irregularidades, os investigadores analisaram documentos fiscais e de transporte, registros de circulação de veículos, imagens de monitoramento e informações de inteligência, além de realizar verificações nos principais corredores utilizados para o escoamento da produção.
As investigações continuam para identificar outros possíveis integrantes do esquema, esclarecer toda a dinâmica dos desvios e localizar o patrimônio utilizado ou obtido com a atividade criminosa.






