Ex-governador cita resultados do Vale Universidade, que beneficiou 19 mil estudantes entre 2015 e 2022, e defende novas oportunidades para jovens de baixa renda
O sonho de cursar uma faculdade ainda esbarra na dificuldade de muitas famílias em arcar com as mensalidades de uma graduação. Em Mato Grosso do Sul, uma das políticas criadas para ampliar o acesso ao ensino superior foi o Vale Universidade, que beneficiou cerca de 19 mil estudantes entre 2015 e 2022, durante a gestão de Reinaldo Azambuja no Governo do Estado.
Uma das pessoas que passaram pelo programa foi a psicóloga Pâmela Cabral. Aos 16 anos, ela começou a trabalhar como menor aprendiz no Governo de Mato Grosso do Sul e conheceu o Vale Universidade. Sem condições de pagar uma faculdade particular, encontrou no programa a oportunidade de iniciar a graduação.
“Para mim, essa oportunidade significou muito mais do que uma bolsa de estudos. Antes de conhecer o Vale Universidade, eu sequer imaginava que seria possível realizar o sonho de cursar uma faculdade”, conta.
Pâmela entrou no programa aos 17 anos e concluiu a graduação em dezembro de 2022. No mês seguinte, conseguiu uma oportunidade de trabalho em uma clínica particular de Campo Grande. Começou como recepcionista e, depois de conquistar o registro profissional, passou a atuar como psicóloga autônoma.
Hoje, atende crianças, adolescentes e adultos e também possui pós-graduação em Terapia ABA, voltada à Análise do Comportamento Aplicada.
“É muito significativo para mim olhar para essa trajetória e perceber que tudo começou com uma oportunidade que, em determinado momento da minha vida, tornou possível aquilo que parecia tão distante”, afirma.
Para ela, o programa teve impacto não apenas na formação profissional, mas também na vida pessoal.
“Quando penso em tudo isso, percebo que a bolsa não mudou apenas o rumo da minha vida acadêmica e profissional. Ela mudou a minha história. Ela me deu a oportunidade de sonhar, de acreditar em mim e, principalmente, de transformar esses sonhos em realidade”, diz Pâmela.
Na época, o modelo do Vale Universidade previa que o estudante beneficiado arcasse com 10% da mensalidade. Outros 70% eram pagos pelo Governo do Estado e 20% ficavam sob responsabilidade da instituição de ensino.
Educação como oportunidade
A experiência do programa é usada por Reinaldo Azambuja como exemplo do impacto que políticas de acesso ao ensino superior podem ter na vida de jovens de baixa renda. Agora, candidato ao Senado, ele afirma que pretende defender em Brasília iniciativas voltadas à ampliação dessas oportunidades.
Para o ex-governador, o acesso à educação superior pode gerar efeitos que vão além da formação acadêmica, como a entrada no mercado de trabalho, a independência financeira e a melhoria das condições de vida das famílias.
“Quando a gente cria oportunidades, não está apenas ajudando um jovem a entrar na universidade. Estamos abrindo portas para que ele possa construir uma profissão, conquistar sua independência e transformar a realidade da sua família”, afirma.
A proposta é levar essa experiência para a atuação no Senado, buscando recursos e defendendo políticas públicas voltadas à formação profissional e ao acesso de estudantes de baixa renda ao ensino superior.
A trajetória de Pâmela mostra, na prática, o caminho entre uma oportunidade de estudo e a construção de uma carreira. Para ela, o programa representou a chance de transformar um sonho que parecia distante em uma profissão.






