Dispositivos podem ajudar a identificar alterações no coração, mas oscilações na frequência cardíaca são comuns e não significam, sozinhas, que há uma doença
Relógios e anéis inteligentes passaram a acompanhar de perto indicadores como frequência cardíaca, sono, atividade física e, em alguns modelos, até o ritmo do coração por meio de eletrocardiogramas. Com tantos dados disponíveis no pulso, porém, surge uma dúvida comum: quando um alerta do dispositivo merece atenção e quando pode ser apenas uma variação normal do organismo?
Para o cardiologista da Cassems, Alexandre Henrique Zangari, a principal orientação é não transformar o dado apresentado pelo dispositivo em um diagnóstico. Segundo ele, é cada vez mais comum pacientes chegarem ao consultório preocupados após receberem algum alerta sobre os batimentos.
A frequência cardíaca não permanece igual durante todo o dia. Exercícios, estresse, ansiedade, consumo de cafeína, falta de sono e até o momento em que a medição é feita podem provocar alterações. Além disso, os sensores dos dispositivos estão sujeitos a limitações e podem apresentar leituras imprecisas.
“Um alerta não significa, necessariamente, uma doença cardíaca. Variações da frequência podem acontecer por exercício, estresse, cafeína, falta de sono ou até por limitações do próprio sensor”, explica Zangari.
O alerta pode ser útil
Isso não significa que os wearables devam ser ignorados. Pelo contrário: os dispositivos podem funcionar como uma espécie de triagem, ajudando a identificar alterações que eventualmente passariam despercebidas.
Alguns relógios conseguem detectar padrões compatíveis com ritmos cardíacos irregulares e emitir alertas para que o usuário procure avaliação. O problema está em interpretar esse aviso como uma confirmação de doença.
“Minha orientação é não transformar os dados sinalizados pelo dispositivo em um diagnóstico”, afirma o cardiologista.
Quando procurar um médico?
Um alerta isolado, principalmente quando não há sintomas, não deve ser motivo para pânico. Já alterações que se repetem, notificações frequentes de ritmo irregular ou mudanças acompanhadas de sintomas merecem avaliação profissional.
Palpitações, tontura, desmaio, falta de ar, dor no peito ou mal-estar associados a uma alteração nos batimentos são sinais que não devem ser ignorados.
Outro ponto de atenção é a própria ansiedade provocada pelo monitoramento constante. Ao verificar repetidamente os números e interpretar qualquer oscilação como um problema, a pessoa pode ficar mais ansiosa — e a própria ansiedade pode elevar a frequência cardíaca.
“A frequência cardíaca não é um número fixo. Ela costuma variar ao longo do dia por inúmeros fatores, como atividade física, emoções e sono. O problema é interpretar qualquer alteração como uma doença”, alerta Zangari.
Tecnologia deve ser aliada, não fonte de preocupação
A melhor maneira de utilizar os wearables é encarar os dados como informações que podem ajudar no acompanhamento da saúde, e não como substitutos de uma consulta ou de exames médicos.
Se o relógio indicar uma alteração recorrente ou emitir uma notificação sugestiva de arritmia, o caminho é guardar as informações e procurar um profissional de saúde para confirmar se existe alguma alteração cardíaca.
“Se a alteração for recorrente ou houver uma notificação sugestiva de arritmia, vale procurar avaliação médica para confirmar o achado”, orienta o cardiologista.
Em resumo: o relógio pode chamar a atenção para um possível problema, mas quem confirma o diagnóstico é o médico.






