Adolescente e a irmã mudaram a versão durante depoimentos; Polícia Civil investiga se recém-nascida de 28 dias foi entregue a terceiros como forma de pagamento
O desaparecimento de uma bebê de apenas 28 dias ganhou uma reviravolta nesta sexta-feira (7), em Campo Grande. Após relatarem inicialmente um suposto sequestro, a mãe da criança, de 17 anos, e a irmã dela admitiram à Polícia Civil que a história não teria acontecido da maneira apresentada.
Agora, a principal linha de investigação é de que a recém-nascida tenha sido entregue a outra pessoa em razão de uma dívida atribuída ao pai da criança. Ele seria apontado como integrante de uma facção criminosa, informação que ainda está sendo apurada pelas autoridades.
A prioridade da Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) é localizar a bebê, identificar quem recebeu a criança e esclarecer a participação de cada pessoa envolvida.
Primeira versão mobilizou a polícia
Inicialmente, as adolescentes disseram que foram até uma residência no Bairro Universitário após contato com uma mulher pela internet. A suspeita teria conhecido a mãe da bebê em um grupo de WhatsApp voltado à venda e à doação de roupas infantis.
Conforme o primeiro relato, a mulher teria oferecido roupas, carrinho, um ensaio fotográfico gratuito e, posteriormente, o pagamento de R$ 100 por dia para que a adolescente cuidasse de uma criança.
A jovem foi ao endereço acompanhada da irmã, de 13 anos, e levou a recém-nascida. No boletim de ocorrência, elas afirmaram que havia aproximadamente dez homens no imóvel e que a mãe teria sido coagida a entregar a filha.
As duas também disseram que permaneceram no local durante horas e foram deixadas, já durante a madrugada, nas proximidades da UPA Universitário, na Avenida Guaicurus. A recém-nascida não estava com elas.
O relato fez com que o caso fosse inicialmente tratado como possível sequestro e cárcere privado. A Polícia Militar realizou diligências no endereço indicado e em ruas próximas, mas as adolescentes não reconheceram os locais apontados e os policiais não encontraram elementos que confirmassem as circunstâncias narradas.
Versão mudou durante os depoimentos
Com o avanço das oitivas, as irmãs voltaram atrás e admitiram que o sequestro não teria ocorrido. Conforme a nova versão, a recém-nascida teria sido entregue a terceiros por causa de uma dívida relacionada ao pai.
A Polícia Civil busca esclarecer se a entrega foi voluntária, se houve ameaça ou coação e qual seria a relação dos envolvidos com a suposta dívida. Também chamou a atenção dos investigadores a informação de que a criança ainda não teria registro de nascimento nem CPF.
As buscas pela bebê continuam. A Depca apura quem recebeu a recém-nascida, onde ela está e quais crimes podem ter sido cometidos. As responsabilidades somente poderão ser definidas após a conclusão da investigação.






