Reunião presidida por senadora discute geopolítica e economia, com destaque para acordo Mercosul-União Europeia, desafios estruturais e competitividade do setor
Os impactos da geopolítica mundial sobre o agronegócio brasileiro foram o foco da reunião que abriu os trabalhos anuais do Conselho Superior do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, realizada na segunda-feira (9). Presidido pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), o conselho reuniu cerca de 100 participantes para debater os desafios e oportunidades do setor em um cenário global marcado por instabilidade e protecionismo.
Durante o encontro, a senadora, que também é vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária no Senado, avaliou o Acordo Mercosul–União Europeia, assinado em janeiro de 2026, como um avanço possível, embora distante do ideal. Segundo ela, o tratado ainda não representa uma agenda plena de livre comércio e traz salvaguardas consideradas desproporcionais, especialmente para o agronegócio brasileiro.
Tereza Cristina alertou que produtos como a carne bovina já exportam volumes superiores aos limites previstos nos mecanismos automáticos de proteção do acordo, o que pode provocar acionamentos quase imediatos dessas barreiras. Para a senadora, o protecionismo segue como uma realidade concreta no comércio internacional e exigirá adaptação constante de governos e do setor produtivo.
Ao abordar o cenário interno, a presidente do Cosag apontou como principais desafios para 2026 a reforma tributária, os juros elevados, o alto nível de endividamento do setor e o crescimento expressivo dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio. Ela destacou ainda que o conselho seguirá atuando como referência da agroindústria nacional, dando continuidade ao trabalho desenvolvido por seu antecessor, Jacyr Costa.
O ex-ministro da Agricultura Francisco Turra ressaltou o papel estratégico do agronegócio brasileiro no abastecimento alimentar global e na produção de energia limpa. Ele destacou o salto da produção de grãos nas últimas décadas e a liderança do país no uso de fontes renováveis, como hidrelétrica, eólica e solar. Para Turra, o acordo com a União Europeia amplia a competitividade do setor ao facilitar o acesso a tecnologias e serviços.
Já o ex-ministro Roberto Rodrigues chamou atenção para entraves estruturais e estratégicos, como os altos custos de produção, a situação fiscal do país e a ausência de uma política de longo prazo para o agro. No cenário internacional, apontou o aumento do protecionismo e das exigências relacionadas à segurança alimentar como fatores de pressão sobre as exportações brasileiras.
Encerrando a reunião, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou que os conselhos temáticos da entidade têm papel fundamental ao levar os grandes temas nacionais ao centro do debate institucional, reforçando a importância da união entre os setores produtivos para contribuir com o desenvolvimento do país.
Durante o evento, o empresário João Guilherme Ometto e o ex-ministro Roberto Rodrigues foram nomeados presidentes de honra do Conselho Superior do Agronegócio. Rodrigues também recebeu a Ordem do Mérito Industrial São Paulo, em reconhecimento à sua contribuição ao setor e à indústria brasileira.
Com informações da Fiesp.





