Marido, caseiro e ex-funcionário são presos após tentativa de ocultar armas; perícia aponta inconsistências na cena
A morte da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, encontrada com um tiro na cabeça dentro de casa, na Chácara dos Poderes, em Campo Grande, passou a ser investigada sob suspeita de feminicídio.
A Polícia Civil identificou contradições na versão apresentada pelo marido da vítima, o médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, que inicialmente afirmou se tratar de suicídio.
De acordo com o delegado Leandro Santiago, responsável pelo caso na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), depoimentos colhidos no local e análises preliminares da perícia indicaram divergências importantes. A principal delas está relacionada ao ferimento na cabeça da vítima, que, segundo o delegado, não condiz com a dinâmica descrita pelo companheiro.
Além disso, o médico foi preso em flagrante por posse irregular de armas de fogo e munições. Conforme a investigação, momentos antes da chegada da polícia, ele teria orientado um caseiro e um ex-funcionário da propriedade a esconderem armamentos em outro imóvel dentro da chácara, o que também configurou fraude processual. Os três foram detidos.
A Polícia Civil informou que será instaurado um inquérito complementar para aprofundar a apuração das circunstâncias da morte, agora sob uma perspectiva de gênero, a fim de esclarecer se Fabíola foi vítima de feminicídio ou se realmente tirou a própria vida.
O caso ocorreu na tarde de segunda-feira (18). Segundo relato do marido, Fabíola teria seguido sua rotina normalmente antes de subir ao quarto do casal. Estranhando a demora, ele afirmou ter ido até o local, encontrado a porta trancada e, ao tentar contato por telefone, ouvido o disparo. A mulher foi encontrada já sem vida.
Equipes da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e perícia técnica estiveram no local. As investigações seguem em andamento.






