Câmeras mostram suspeito retirando pertences da casa em diferentes momentos antes de deixar o imóvel com a criança; companheira foi encontrada morta horas depois
As imagens de uma câmera de segurança acrescentaram uma nova peça à investigação da morte de Andriele dos Santos, de 34 anos, encontrada sem vida dentro de casa, no bairro Santo Antônio, em Campo Grande. O companheiro dela, Aparecido de Souza Doirado, de 46 anos, foi preso e é investigado por feminicídio.
A gravação chama atenção principalmente pela sequência registrada durante a saída do homem. Em vez de deixar o endereço de uma só vez, Aparecido aparece várias vezes retirando objetos da residência e colocando tudo em um Fiat Uno estacionado em frente ao imóvel.
Na primeira saída, ele leva o filho do casal, de 3 anos, e uma mochila. Depois de colocar a criança e o objeto no carro, retorna para dentro da casa.
Cerca de dois minutos depois, volta carregando outros pertences. Mais uma vez, deixa os objetos no veículo e entra na residência.
O homem permanece no imóvel por aproximadamente três minutos. Em seguida, aparece novamente com mais coisas, coloca os objetos no carro e, dessa vez, deixa o local acompanhado do filho.
A sequência passou a ser analisada pelos investigadores porque indica que Aparecido aparentemente já se organizava para sair da residência. A presença da mochila e a retirada dos pertences em diferentes momentos podem reforçar a hipótese de que a saída tenha sido preparada antes, mas caberá à investigação determinar se houve planejamento e o que aconteceu dentro da casa antes da partida.
Mãe estranhou ausência e encontrou a filha morta
Andriele foi encontrada pela própria mãe na tarde de sábado (29). A família havia percebido que ela não tinha ido trabalhar e começou a procurar informações sobre seu paradeiro.
De acordo com o registro policial, Andriele e Aparecido estavam em processo de separação. Ainda conforme o relato apresentado à polícia, o homem teria dito aos familiares que a companheira havia sido levada para a Santa Casa.
A informação, porém, não coincidia com o que as câmeras registraram. As imagens mostravam Aparecido deixando a residência durante a manhã acompanhado do filho.
Diante da falta de notícias, a mãe foi até a casa. Ao entrar no imóvel, encontrou Andriele sobre um sofá, já sem vida, com uma corda ao redor do pescoço.
A Polícia Militar foi acionada por volta das 13h. Equipes do Corpo de Bombeiros e da Perícia Criminal também estiveram no endereço para os procedimentos necessários. A causa exata da morte ainda depende da conclusão dos exames periciais.
Após o crime, Aparecido se apresentou espontaneamente à Polícia Civil. Durante as diligências realizadas pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), ele acabou preso em flagrante.
A criança foi localizada em segurança e está sob proteção.
A Polícia Civil mantém sob sigilo informações que possam revelar detalhes da dinâmica do crime ou do possível modo de agir do suspeito, justamente para não comprometer o avanço das investigações.
Investigação tenta reconstruir as últimas horas
Além de esclarecer a causa da morte, a polícia busca reconstruir passo a passo o que ocorreu dentro da residência antes da saída de Aparecido.
A sequência captada pela câmera — com a retirada da mochila, do filho e de outros pertences em momentos diferentes — deverá ser confrontada com os demais elementos reunidos durante a perícia e as diligências.
Também deverá ser esclarecido se a criança estava na residência no momento da possível agressão e se presenciou alguma parte da violência.
O caso é investigado pela Deam como feminicídio.
Agosto termina como mês mais letal para mulheres em MS
A morte de Andriele fez agosto chegar a sete registros de feminicídio em Mato Grosso do Sul em 2026, número que supera os cinco casos contabilizados em julho e coloca o mês entre os períodos mais violentos do ano para mulheres no Estado.
O crime também ocorreu nos últimos dias do Agosto Lilás, campanha voltada à prevenção e ao enfrentamento da violência contra a mulher.
Mulheres que estejam vivendo situações de violência podem procurar orientação pelo Ligue 180. Em situações de emergência ou risco imediato, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190.





