Grupo “Transformando a Dor” promove acolhimento, escuta e troca de experiências para familiares que enfrentam a perda de crianças e adolescentes
A dor da perda de um filho não se encerra com o tempo. Para muitas famílias, o luto permanece e falar sobre ele passa a ser parte importante do processo de enfrentamento.
Com esse foco, a AACC/MS mantém o grupo “Transformando a Dor”, voltado ao acolhimento de mães, pais e familiares que perderam crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer.
A iniciativa integra as ações do Julho Âmbar, dedicado à conscientização sobre o luto parental, e oferece um espaço de escuta conduzido pela equipe de Psicologia da instituição.
Segundo a psicóloga Rozenilda Barbosa, a falta de espaços para compartilhar a dor pode tornar o processo ainda mais difícil com o passar do tempo.
“Muitas mães relatam que, depois de um período, sentem que não têm mais com quem dividir essa saudade”, afirma.
Os encontros são realizados principalmente de forma online e reúnem familiares em vivências de apoio mútuo. Além disso, a AACC/MS também disponibiliza atendimento psicológico individual para casos que exigem acompanhamento mais específico.
O suporte faz parte do trabalho contínuo da equipe multiprofissional da instituição, que acompanha pacientes e famílias desde o diagnóstico até o tratamento e, quando necessário, também no período de luto.
Para a presidente da AACC/MS, Mirian Comparin Corrêa, o acolhimento precisa continuar mesmo após a perda.
“Ninguém deveria atravessar essa dor sozinho”, resume.
Atenção ao câncer infantojuvenil
O câncer é a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos no Brasil. O diagnóstico precoce é decisivo e pode elevar as chances de cura a mais de 80% quando o tratamento é iniciado rapidamente.
Entre os sinais de alerta estão febre prolongada, perda de peso sem causa aparente, dores persistentes, manchas roxas, sangramentos sem trauma, vômitos com dor de cabeça e alterações neurológicas.
Em Mato Grosso do Sul, o CETOHI é referência no atendimento oncológico pediátrico e já acompanhou mais de 2.200 pacientes ao longo de 26 anos.
Rede de cuidado
Desde 1998, a AACC/MS atua no acolhimento de crianças, adolescentes e famílias no Estado, ampliando o acesso ao tratamento e fortalecendo a rede de apoio.
Somente em 2025, a instituição realizou milhares de atendimentos, além de hospedagens, refeições e suporte social às famílias assistidas.
Mesmo após a perda, o acompanhamento psicológico segue disponível, respeitando o tempo de cada família no processo de luto.






