O anúncio da proposta de venda do Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande, foi interpretado pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Epaminondas Neto, o Papy, como um dos principais desdobramentos do trabalho realizado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Coletivo. Para o parlamentar, a investigação conduzida pelo Legislativo foi decisiva para romper anos de inércia em torno de um dos maiores problemas enfrentados pela população da Capital.
Instalada no início de 2025, a CPI promoveu dezenas de oitivas, reuniu documentos técnicos, financeiros e operacionais e produziu um relatório que apontou uma série de irregularidades no cumprimento do contrato de concessão. Entre as recomendações estavam a substituição imediata de 197 ônibus com idade acima do limite contratual, a intervenção no Consórcio Guaicurus e até a análise da caducidade da concessão.
Na avaliação de Papy, as conclusões da comissão fortaleceram o debate público, deram respaldo às medidas adotadas posteriormente pelo Executivo e contribuíram para criar o ambiente que culminou na intervenção do município e, agora, na negociação para transferência do controle da empresa a um novo grupo.
“A Câmara Municipal não se omitiu diante de um dos maiores problemas enfrentados pela população. Tivemos coragem para abrir esse debate, investigar com profundidade e apresentar um relatório sério, técnico e responsável. Os desdobramentos que estamos acompanhando hoje demonstram que a Câmara cumpriu seu dever de defender o interesse público”, afirmou.
Apesar do avanço, o presidente da Casa de Leis ressalta que a simples troca do controlador do Consórcio não resolverá, por si só, os problemas históricos do transporte coletivo. Segundo ele, a população espera mudanças que possam ser percebidas no dia a dia.
“O cidadão quer entrar em um ônibus novo, seguro e pontual. Quer corredores de transporte funcionando, vias em boas condições e uma mobilidade urbana moderna e eficiente. Não basta mudar o nome de quem administra o sistema. É preciso que essa mudança seja sentida por quem depende do transporte todos os dias”, destacou.
Papy reforçou que a Câmara seguirá exercendo seu papel fiscalizador durante todo o processo de transição, cobrando que os compromissos assumidos sejam efetivamente cumpridos, especialmente em relação à renovação da frota, aos investimentos em infraestrutura e à melhoria da qualidade do serviço.
“Nosso compromisso sempre será com quem utiliza o transporte coletivo. A população espera resultados concretos, e a Câmara continuará acompanhando cada etapa para garantir que essa mudança represente um novo momento para a mobilidade urbana de Campo Grande”, concluiu.





