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Conheça Onildo Almeida, o homem que levou a Feira de Caruaru ao mundo

Conheça Onildo Almeida, o homem que levou a Feira de Caruaru ao mundo

A Onça by A Onça
9:34 sábado, 28 junho 2025
in Brasil
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Todos os domingos, Onildo Almeida tem um compromisso inadiável. Trajado elegantemente com camisa de alfaiataria e calça impecável, ele deixa sua casa antes das 7h da manhã acompanhado da esposa, Lenita, para ir à Feira de Caruaru. 

É comum que seu momento de compras seja interrompido por um pedido de foto, um abraço ou um convite para um papo. Algum desavisado que passa por ali pode não saber, mas Onildo, aos 96 anos, é o maior vendedor da Feira de Caruaru. 

Notícias relacionadas:Forró embala São João de Caruaru, “o maior do mundo”.Embora nunca tenha tido comércio no local, foi ele quem compôs os versos que exaltam a diversidade de produtos da feira em que “de tudo que há no mundo” tem para vender. Sua canção Feira de Caruaru ficou imortalizada na voz de Luiz Gonzaga e se tornou a primeira de muitas obras de Onildo a serem gravadas pelo Rei do Baião.

Na década de 1950, Onildo Almeida era um jovem apresentador de programas de auditório na Rádio Difusora de Caruaru, mas também se aventurava na música. Lançou seu primeiro disco, um álbum que continha uma única canção, uma homenagem à Feira de Caruaru, à cidade e à cultura nordestina. A música fez sucesso na região, mas não ultrapassou as barreiras estaduais. 

Filho de um comerciante bem-sucedido na cidade, ele e seus seis irmãos cresceram em uma família musical. As irmãs se dedicavam ao piano e os homens, ao violão, ao violino e ao bandolim. Aos 13 anos, Onildo já compunha suas primeiras canções e adolescente já se apresentava com o quarteto vocal Vocalistas Tropicais.

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Em uma de suas idas à Caruaru em meados de 1950, Luiz Gonzaga, que já era um ídolo na época, se apresentou na Difusora, a rádio onde Onildo trabalhava, e ouviu Feira de Caruaru pela primeira vez. 

“Ele pegou o disco e perguntou quem era o cantor. Meu irmão, que trabalhava na rádio como operador, me apresentou”, relembra o compositor. “Ele me disse: ‘Como é que você tem um negócio desse que não me mostra?’ Eu respondi: ‘Tá na sua mão!'”.

Nascia assim a parceria.

Em 21 de março de 1957, Gonzagão gravou pela primeira vez a canção que se tornou um grande sucesso. O LP de 78 rotações teve 100 mil cópias vendidas em dois meses. A marca fez com que o Rei do Baião conquistasse o primeiro disco de ouro da carreira. 

“Pelo simples fato de Gonzaga gravar, já era uma um acontecimento, né? Um acontecimento raro. Ele pegar e gravar uma música do jeito que eu fiz e não alterou nada”, recordou Onildo sobre a sensação de ouvir sua canção cantada na voz de Seu Luiz.

O músico Onildo Almeida mostra letra da música A Hora do Adeus, escrita em 1967 Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Parcerias

Feira de Caruaru foi regravada por outros artistas e em diversos idiomas, inclusive em outros países. O encontro do compositor carurarense com o filho de Exu, no Sertão de Pernambuco, rendeu uma amizade e uma parceria frutífera. Gonzaga gravaria ainda Aproveita Gente, Onde o Nordeste Garoa, Zé Dantas, Só Xote, Sanfoneiro Zé Tatu e muitas outras canções de Onildo. Outros gigantes da música nordestina como Marinês, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino e Jorge de Altinho também recorreram ao “poeta do agreste” para compor seu repertório.

Onildo também fez a cabeça dos tropicalistas. Em You Don’t Know Me, canção de Transa, álbum emblemático de Caetano Veloso de 1972, gravado quando o artista estava exilado em Londres, Caetano faz uma colagem de citações, entre elas um trecho de A Hora do Adeus, parceria de Onildo Almeida e Luiz Queiroga, gravada por Luiz Gonzaga no álbum Olha Eu Aqui de Novo de 1967: “Eu agradeço ao povo brasileiro / Norte, Centro, Sul inteiro / Onde reinou o baião”. 

No mesmo ano, Gilberto Gil gravou o arrasta-pé Sai do Sereno, composição de Onildo, no álbum Expresso 2222 – o primeiro que o músico baiano lançou após o retorno ao Brasil com o fim de seu exílio em Londres.

Apresentação da banda Diablo Angel, com participação de Onildo Almeida, no Palco Azulão, no centro de Caruaru (PE). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Referência musical

Ao longo de quase um século de música, Onildo Almeida se tornou uma referência musical e inspiração para novos artistas nordestinos. Isso fica evidente na maneira como é celebrado durante os festejos juninos em Caruaru. Este ano, durante a festa, ele foi convidado especial da Orquestra de Pífanos de Caruaru e se apresentou em um dos palcos do São João de Caruaru dedicados à música alternativa, junto com a banda pernambucana Diablo Angel. 

A banda, que tem dez anos de estrada, lançou neste mês de junho uma versão com pegada pop rock de Feira de Caruaru com a participação do próprio Onildo.

“Estar com ele no palco, poder cantar com ele estas músicas que fazem parte da nossa história é um privilégio. Eu cresci com essas canções. Era aquele desafio gostoso, era quase como memorizar um repente, aquela letra de ‘Feira de Caruaru’ “, diz Kira Derne, vocalista da Diablo Angel, que também nasceu na cidade. 

Entre encontros, ensaios e apresentações ao lado de Onildo, ela aproveita para aprender com o mestre.

“Ele é muito generoso. Eu estou sempre tentando escutá-lo, especialmente como uma jovem compositora. Você ter a oportunidade de estar com ele, de aprender sobre processo criativo, como ele aborda a escrita de uma canção, as histórias de como foram escritas suas principais canções…Eu aproveito cada minuto ao lado dele”, acrescenta.

A tradicional Feira de Caruaru, que ficou conhecida nacionalmente pela música do compositor Onildo Almeida. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Homenagens 

Celebrado como o homem que apresentou Caruaru ao mundo, Onildo é uma figura querida na cidade e costuma ir às escolas conversar com as crianças sobre música e cultura nordestina. Ele diz não recusar convites, mas não costuma ultrapassar os limites da cidade: odeia viajar. 

As homenagens chegam em sua casa e emolduram as paredes de sua sala, uma espécie de museu particular que conta sua história de sucesso na música e as amizades que fez pelo caminho.

Quase sete décadas depois de ser inspiração para Onildo, a Feira de Caruaru segue sendo uma grande atração na cidade. Hoje, ostenta o registro de Patrimônio Imaterial Brasileiro concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). 

Embora por lá ainda se encontrem os mais variados tipos de frutas regionais, arreios para cavalos e os bonecos de barro dos discípulos do Mestre Vitalino, o espaço não ficou imune à invasão de produtos chineses, como acontece em outros comércios locais no Brasil. Ainda assim, para Onildo, não há lugar igual: 

“Eu costumo dizer que toda cidade tem feira e toda feira é igual. Mas, na verdade, não é. A de Caruaru, quando você procura uma coisa no comércio que não encontra, vai para a feira. É uma feira que tem tudo”.

 

*A equipe de reportagem viajou a convite da Petrobras

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Tags: Agencia BrasilBrasilNotícias

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