Pelas ruas de Campo Grande, a celebração marcou a passagem de uma fase de dor e incertezas para um recomeço cercado de esperança
Há tempestades que não chegam acompanhadas de chuva. Algumas começam com uma notícia que muda tudo, atravessam meses de medo e transformam a rotina em uma sequência de consultas, exames e tratamentos. Para Jana, esse período ganhou uma nova paisagem nesta semana: o caminho para o fim de uma tempestade e o começo de um arco-íris.
No primeiro dia de setembro, ela saiu pelas ruas de Campo Grande para celebrar a última sessão de quimioterapia. O momento, que poderia ser apenas mais uma data no calendário, ganhou outro significado depois de tudo o que ficou para trás. Foi a maneira encontrada por ela para transformar o encerramento de uma etapa difícil em uma lembrança de vitória, cercada por emoção e esperança.
A quimioterapia costuma representar uma das fases mais desgastantes do tratamento contra o câncer. Além dos efeitos físicos, existe o peso emocional de enfrentar uma doença que interrompe planos, modifica hábitos e coloca o futuro em suspensão. Por isso, chegar ao fim das sessões pode significar recuperar, pouco a pouco, a sensação de que a vida volta a caminhar para além do tratamento.
A história de Jana acontece em meio a uma realidade que alcança milhares de famílias brasileiras. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil entre 2026 e 2028, considerando todos os tipos da doença. Os números ajudam a dimensionar o tamanho do desafio, mas não conseguem traduzir o que existe por trás de cada diagnóstico: uma pessoa, uma família e uma história que passa a ser escrita de outra maneira.
Em Mato Grosso do Sul, a estimativa para 2026 é de 8.680 novos casos, incluindo os cânceres de pele não melanoma. Entre os tumores mais frequentes estão os de próstata, mama, cólon e reto e pulmão.
Mas números são apenas uma parte dessa história. Do outro lado das estatísticas estão pessoas que atravessam a doença buscando motivos para continuar. Algumas encontram força na família. Outras, na fé. Há quem descubra coragem em pequenas conquistas que, durante o tratamento, passam a ter um tamanho enorme.
Para Jana, uma dessas conquistas foi chegar à última quimioterapia e poder comemorar.
O fim das sessões não significa necessariamente o encerramento de todo o acompanhamento contra o câncer. Dependendo do diagnóstico e da resposta ao tratamento, ainda podem ser necessários exames, consultas e outras etapas. Mas terminar uma fase representa um marco importante nessa caminhada.
E foi justamente isso que ela decidiu celebrar.
Ao transformar as ruas da Capital em cenário para esse momento, Jana não estava apenas comemorando uma última sessão. Estava celebrando cada dia em que precisou ser forte, cada dificuldade enfrentada e a possibilidade de olhar para frente novamente.
Porque, depois de uma longa tempestade, o céu não muda de uma hora para outra. Primeiro vem a luz, depois as cores aparecem devagar. E, para Jana, o arco-íris começou a surgir agora.





