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Fogo Zero: Com ações preventivas, queimadas têm queda histórica em MS

Fogo Zero: Com ações preventivas, queimadas têm queda histórica em MS

A Onça by A Onça
9:24 sábado, 16 maio 2026
in Assembléia Legislativa, MS, Política
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Mato Grosso do Sul terminou 2025 com redução recorde no número de queimadas, registrando o menor resultado dos últimos 27 anos. E, em 2026, a quantidade de focos segue abaixo das médias históricas. Esse cenário se relaciona à combinação de campanhas de conscientização, ações preventivas, monitoramento e avanços em políticas públicas voltadas ao manejo do fogo. Entre essas iniciativas, está a Campanha Fogo Zero, instituída pela Lei 6.477/2025, aprovada pela Assembleia Legislativa (ALEMS) em setembro do ano passado.

Além dos danos ambientais, como perda de biodiversidade, destruição da vegetação nativa e impactos sobre a fauna, as queimadas também afetam a saúde pública, as comunidades rurais e ribeirinhas e setores econômicos, com destaque, o de florestas. Esses prejuízos justificam iniciativas, como a Campanha Fogo Zero, que busca ampliar a cultura de prevenção aos incêndios florestais, incentivando ações educativas, cursos de capacitação e medidas voltadas à proteção das áreas de floresta do estado.

Deputado Pedrossian Neto, autor da lei que instituiu a campanha
(Foto: Luciana Nassar)

Autor da Lei 6.477/2025, o deputado Pedrossian Neto (Republicanos) afirma que o enfrentamento das queimadas precisa ser tratado como prioridade ambiental e econômica. Segundo ele, Mato Grosso do Sul tem um patrimônio ambiental estratégico e depende da conscientização coletiva para reduzir os riscos de incêndios. “O nosso estado tem um patrimônio ambiental enorme e a gente precisa ter a consciência de que combater as queimadas é uma prioridade”, afirmou o parlamentar. Para ele, o debate também envolve diretamente a proteção do setor produtivo e da infraestrutura ligada às florestas plantadas.

O deputado destacou ainda o crescimento do setor de celulose no estado, que hoje conta com cerca de 2 milhões de hectares de florestas plantadas. “Esse maciço florestal precisa de uma estrutura de proteção séria”, considerou. De acordo com Pedrossian Neto, a Campanha Fogo Zero, realizada anualmente no mês de maio, tem justamente o objetivo de mobilizar produtores rurais, entidades e a sociedade antes do período de seca. “A ideia é mobilizar todo mundo agora, antes da seca, para evitar prejuízos e garantir que o estado continue crescendo com responsabilidade”, afirmou.

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Fonte: INPE/Arte: IA

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que Mato Grosso do Sul registrou em 2025 o menor número de focos ativos de queimadas desde o início da série histórica, em 1988. Essa redução ocorre após períodos críticos registrados nas últimas décadas, marcados por secas severas e incêndios de grandes proporções, que assolaram extensas áreas, sobretudo do Pantanal.

Ao longo da série histórica, Mato Grosso do Sul apresentou oscilações importantes nos registros de queimadas. O maior pico ocorreu em 2002, com 14.543 focos ativos. Mais recentemente, os anos mais críticos foram 2020 (com 12.080 focos de incêndio) e 2024 (13.041 focos). Depois disso, a trajetória tem sido de quedas. E neste ano, o estado continua apresentando números relativamente baixos: excetuando-se abril (aumento expressivo de 252%), os demais meses de 2026 (até meados de maio) registraram quedas nos focos de incêndio na comparação com os mesmos períodos de 2025.

Especialista destaca o manejo integrado do fogo

Prof. Dr. Geraldo Damasceno, especialista em ecologia do fogo
(Foto: Arquivo pessoal)

Pesquisador em ecologia do fogo em áreas inundáveis, doutor em Biologia Vegetal com pós-doutorado na Universidade de Hamburgo, o professor Dr. Geraldo Alves Damasceno Júnior, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), considera, entre os fatores que contribuíram para a redução das queimadas, a implementação de ações que estimulam o uso do fogo de maneira controlada e planejada.

Na avaliação do professor, esse resultado de quedas nos focos de queimadas se relaciona a importantes campanhas realizadas tanto pelo governo do Estado quanto pelo governo federal. “Iniciou-se um marco regulatório com o objetivo de incentivar o uso do manejo integrado do fogo”, informou Damasceno. A utilização controlada do fogo previne os incêndios florestais.

Sobre as queimadas no Pantanal, o pesquisador explicou que o bioma tem uma dinâmica ecológica própria e depende de inundações e do fogo para a manutenção de seus processos naturais. “O Pantanal é um sistema dependente do fogo. É claro que existem áreas mais sensíveis, mas, de maneira geral, trata-se de um bioma que necessita tanto do fogo quanto da inundação para que os processos ecológicos ocorram”, explicou.

O pesquisador chama à atenção, por outro lado, aos eventos de fogo catastróficos, como incêndios na estação seca, que destroem grandes áreas. “Esse tipo de fogo não é benéfico, pois provoca prejuízos significativos: grandes extensões queimadas, morte de animais, perda de árvores, além de impactos econômicos, como destruição de pastagens e de infraestrutura das fazendas, e ameaça às comunidades ribeirinhas. Há também diversos problemas de saúde associados”, alerta o especialista.

O enfrentamento do problema deve combinar informação científica, conscientização e políticas públicas equilibradas, conforme observa o professor. Segundo ele, universidades e instituições de pesquisa têm papel importante na compreensão da ecologia do fogo, estudando inflamabilidade da vegetação, propagação das chamas e impactos sobre fauna e flora.

Confira aqui a entrevista na íntegra com o professor Geraldo Damasceno.

Livro infantil aborda preservação ambiental

A preservação do meio ambiente deve fazer parte da aprendizagem das crianças. Nesse sentido, a Comunicação Institucional da ALEMS produziu o livro infantil “Memórias de um Ipê Amarelo: A história de uma amizade nutrida pela preservação ambiental”. A obra integra a coleção “Cidadania é o Bicho” e busca abordar, de forma lúdica e acessível, os impactos dos incêndios florestais no Pantanal e a importância da preservação da biodiversidade.

Este livro como as demais publicações da coleção podem ser baixados gratuitamente. Clique na imagem e acesse o livro “Memórias de um Ipê Amarelo” e confira aqui todos os títulos.

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Tags: ALEMSAssembléia LegislativaMSpolítica

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