Doenças silenciosas podem evoluir sem sintomas; vacinação, testes e tratamento ajudam no controle
As hepatites virais continuam sendo um desafio para a saúde pública porque, na maioria das vezes, evoluem de forma silenciosa. Muitas pessoas convivem com o vírus durante anos sem perceber e só descobrem a infecção quando o fígado já apresenta danos importantes.
No Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, celebrado em 28 de julho, especialistas reforçam a importância da prevenção, da vacinação, da testagem e do tratamento precoce.
Segundo o infectologista do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), Alexandre Bertucci, as hepatites B e C são as que mais preocupam pelo risco de se tornarem infecções crônicas.
“Muitas pessoas passam décadas com o vírus sem saber. Quando o diagnóstico acontece, podem surgir complicações como cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado”, explica.
A recomendação é que todas as pessoas com mais de 20 anos façam, pelo menos uma vez na vida, o exame para hepatite B. Para hepatite C, a indicação é principalmente para pessoas acima de 40 anos e para quem recebeu transfusão de sangue ou passou por transplante antes de 1993.
Também devem realizar acompanhamento periódico pessoas que fazem parte de grupos de maior risco, como gestantes, profissionais da saúde, pessoas vivendo com HIV, pacientes em hemodiálise, pessoas privadas de liberdade e parceiros ou familiares de pessoas diagnosticadas com hepatites B ou C.
A prevenção envolve cuidados simples, como o uso de preservativo, o não compartilhamento de objetos que possam ter contato com sangue, como seringas, lâminas e alicates de unha, além da atenção com procedimentos como tatuagens e piercings.
A hepatite B também pode ser evitada com a vacinação, disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para todas as idades. Já para a hepatite C ainda não existe vacina, por isso a prevenção e o diagnóstico continuam sendo fundamentais.
Os tratamentos também evoluíram nos últimos anos. A hepatite B pode ser controlada com medicamentos que reduzem a ação do vírus, enquanto a hepatite C atualmente pode ser curada com antivirais de ação direta, geralmente administrados por via oral.
Como são doenças silenciosas, os testes rápidos têm papel importante na identificação dos casos. Os exames estão disponíveis gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), com resultado no mesmo dia.
A orientação é que pessoas que tiveram alguma situação de risco procurem uma unidade de saúde. O diagnóstico precoce aumenta as chances de iniciar o tratamento adequado e evitar complicações no fígado.






