Em 2002, a seleção brasileira conquistou o pentacampeonato mundial de futebol. Durante a comemoração do título, o lateral-direito Cafu segurou a taça entre as mãos e a envolveu com um beijo. Neste exato momento, ele foi envolvido por uma nuvem de fumaça acompanhada por uma chuva de papel picado prateado. O instante foi registrado e eternizado pela câmera e pelo olhar do fotojornalista Paulo Pinto e percorreu o mundo.
Agora, essa fotografia de Cafu beijando a taça de campeão do mundo está sendo apresentada gratuitamente em uma nova exposição na capital paulista, no Instituto Via Foto, localizado ao lado do Largo da Batata, em Pinheiros.
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A foto de Paulo Pinto, que atualmente faz parte da equipe de fotografia da Agência Brasil, foi colocada no corredor, junto a outras 10 imagens que contam um pouco da história do Brasil em Copas do Mundo. “A exposição é magnífica”, diz o jornalista Juca Kfouri, do programa Trio de Ataque, da TV Brasil, e responsável pelo texto de abertura da mostra.
“Para quem gosta de futebol, ela é imperdível. Para quem gosta de fotos, também é imperdível. Para quem gosta de futebol e de fotos, ou de fotos de futebol, nem se fala”.
Essa pequena mostra antecede a exposição Futebol: Território–Êxtase, apresentada na sala principal do Instituto Via Foto e que tem curadoria de Eder Chiodetto. A mostra apresenta trabalhos de 23 fotógrafos e propõe um olhar contemporâneo sobre o futebol brasileiro por meio da fotografia.
“O futebol sempre foi meu guia principal na fotografia esportiva. Cada ano de Copa do Mundo, despertamos o que temos de mais sagrado nesse meio, o carinho pela seleção brasileira”, contou Paulo Pinto à reportagem da Agência Brasil.
Para o fotojornalista, poder estar presente no momento em que o país se sagrou campeão mundial foi “uma das maiores satisfações” como profissional.
“É um sonho realizado e que foi imortalizado na imagem que correu o mundo. Estou feliz em poder compartilhar isso com todos aqueles que amam fotografia e futebol”.
Mostra anual de fotojornalismo
Além de ter uma imagem na exposição no Instituto Via Foto, uma outra imagem retratada por Paulo Pinto também integra a 20ª Mostra Anual de Fotojornalismo, evento gratuito organizado pela Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos no Estado de São Paulo (ARFOC-SP) e que fica em cartaz até 28 de junho
Imagens do fotógrafo Paulo Pinto são apresentadas em exposições em SP. – JF Diorio.
Considerada a maior mostra coletiva de fotojornalismo do Brasil, neste ano a exposição está sendo apresentada em quatro diferentes espaços: a Praça Dom José Gaspar, a Biblioteca Mário de Andrade, a Galeria do Edifício Zarvos e a Galeria ARFOC, todas na Avenida São Luis, no centro da capital.
A mostra apresenta um amplo panorama visual do Brasil e do mundo contemporâneo e, neste ano, celebra duas décadas de produção fotojornalística e de videorreportagem do país.
Ao todo, a mostra reúne 272 fotografias e 13 vídeos. Entre elas está uma imagem que traz as mãos de dona Zilda Maria de Jesus segurando uma correntinha com as iniciais de seu nome e de seu filho Fernando Luiz de Paula, assassinado nas chacinas de Barueri, Osasco e Itapevi, em agosto de 2015. Os assassinatos foram uma vingança pelas mortes de um policial militar (PM) e de um guarda-civil metropolitano ocorridas dias antes –e foram praticados por PMs.
“Participar da 20ª Mostra de Fotojornalismo da ARFOC-SP é mais que um reconhecimento, é ter a certeza de que essa caminhada no fotojornalismo atingiu seus objetivos”, afirmou Paulo.
“A foto que faz parte dessa mostra é um retrato fiel da nossa sociedade atual em que as ‘forças de estado’ oprimem os mais fracos e deixam desamparados aqueles que nos são caros, ou seja, a família. É nosso papel como fotojornalista ser os olhos de quem não tem olhar e nem voz ”.
Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da ARFOC-SP, Toni Pires, destacou o trabalho fotojornalístico de Paulo Pinto, que já teve passagens por jornais como O Estado de S. Paulo e Diário Popular.
“Paulo Pinto é um exímio contador de histórias visuais do futebol, mas também é um profissional extremamente atento às mazelas sociais e aos problemas que os menos favorecidos enfrentam diante de um poder pré-estabelecido. Este olhar do Paulo ajuda a contar uma história mais sensível, mais humana do dia a dia da nossa sociedade”.
Pires considera que a Mostra Anual de Fotojornalismo contribui não só para se repensar o fotojornalismo como também para trazer reflexões sobre os acontecimentos da sociedade. Por isso, neste ano, a ideia é aumentar o alcance, buscando espaços mais abertos.
“Estamos deixando de falar só com os nossos pares para levar o trabalho do fotojornalismo brasileiro a um público muito maior. A ocupação da Praça Dom José Gaspar é a cereja do bolo. Temos ali 74 cavaletes que dão quase 150 fotos. Na Biblioteca Mário de Andrade nós temos a seta do tempo: uma imagem de cada ano desses 20 anos. Já na Galeria Zarvos e na Galeria ARFOC, temos os ensaios e as videorreportagens”, destacou.
Cada imagem dessa mostra, de acordo com Pires, ajuda a contar um pouco a história do país. “Isso passa pela cultura, pelo entretenimento, pela poesia, pelas tragédias, pelos conflitos. Temos ali tragédias climáticas, tragédias sociais. Mas temos também shows, espetáculos, esporte e outras formas de manifestações culturais. Esse é o trabalho mais puro e representativo do que é o fotojornalismo brasileiro”, falou Pires.
