Manifestação tradicional dos Guerreiros Tupinikim abriu a programação da 6ª edição da Teia Nacional dos Pontos de Cultura, promovida pelo Ministério da Cultura (MinC), nesta terça-feira (19).
Em uma grande roda, o público acompanhou a apresentação, com música e dança tradicionais, de cerca de 40 integrantes de diferentes gerações da etnia Tupinikim. O grupo vive na aldeia Irajá, um dos 12 territórios indígenas do município de Aracruz (ES), que está sediando o evento nacional.
Notícias relacionadas:6ª Teia Nacional tem programação cultural diversa e gratuita no ES.”Os nossos cânticos vêm dos nossos antepassados, alguns com as letras novas, contando a nossa história. Eram os cantos que a gente utilizava para fazer uma demarcação, os cantos dos momentos culturais da nossa comunidade”, contou Bruno Joaquim Siqueira, presidente da Associação Indígena Tupinikim da Aldeia Irajá (Aitupaira), reconhecida como Ponto de Cultura Viva, no contexto da política nacional de valorização da cultura de base comunitária.
Na Aitupaira, as ações têm o objetivo de valorizar a memória, os saberes ancestrais e as expressões artísticas indígenas, por meio da conexão entre tradição e atualidade.
Aracruz (ES), 19/05/2026 – Presidente da Associação Indígena Tupinikim da Aldeia Irajá, Bruno Joaquim Siqueira. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Bruno Siqueira ressaltou a importância da mobilização dos jovens indígenas para a manutenção do modo de vida e dos saberes tradicionais.
“A juventude é a guardiã da cultura dentro da nossa comunidade hoje. Os mais velhos estão lá, mas já estão mais retraídos, eles já prepararam o caminho para gente ocupar esses espaços. Hoje a juventude é protagonista da cultura dentro do território do Tupinikim e Guarani, dentro do Espírito Santo”, disse.
A cacique Kunhatã Tupinikim (foto destaque), da aldeia Irajá, avalia que a participação da etnia na abertura do evento é uma oportunidade de apresentar um pouco da cultura tradicional e incentivar sua valorização, além de dar visibilidade às lutas históricas dos povos originários.
“Cada música, cada letra, é feita através de histórias dos nossos antepassados, até mesmo em busca de que os nossos ancestrais possam nos fortalecer, porque a nossa luta é diária. Cada estrofe que é soada, que é cantada, ela também está contando um pouco da nossa história [atual]. Pode ser uma história que já foi vivida no passado ou a nossa história do presente”, contou.
Das aldeias da cidade de Aracruz, Irajá é a única com uma mulher como cacique.
“Ser cacique mulher não é fácil, a gente ainda está vivendo um período em que a mulher convive com o machismo, com o racismo, muitas das vezes querem nos calar. Nós, mulheres, temos que nos posicionar e dizer que também temos a nossa voz e ela não pode ser calada”, disse a cacique Kunhatã.
“Para mim, esse é um momento gratificante: ter a representação de uma mulher à frente de uma comunidade na luta pela justiça, principalmente pela igualdade e do direito de nós mulheres, que nós possamos ocupar mais lugares que são nossos de direito”, acrescentou.
A Teia
Com o tema “Pontos de Cultura pela Justiça Climática”, a Teia reunirá agentes culturais, mestres e mestras das culturas populares, povos e comunidades tradicionais, gestores públicos e representantes da sociedade civil de todas as regiões do Brasil.
A cidade de Aracruz terá mais de 200 atividades, entre shows, cortejos, cinema, oficinas, rodas culturais, entre outros.
Um dos destaques do evento é a exposição “Você Já Escutou a Terra?”, com curadoria de Ailton Krenak e Karen Worcman. Na agenda de shows, estão nomes como Luedji Luna, MC Tha e Armandinho.
A programação completa está no site do evento.
Também destaque da programação, o 5º Fórum Nacional dos Pontos de Cultura, instância máxima de participação social da Política Cultura Viva, reunirá cerca de 856 delegadas e delegados de todo o país para debater propostas e diretrizes para o fortalecimento da política pública.
* A equipe de reportagem viajou a convite do Ministério da Cultura.