Presidente da Câmara diz que tentou evitar uso eleitoral da comissão, mas afirma que investigação pode se tornar a maior da história da Capital. Pedido já reúne nove assinaturas e deve alcançar o mínimo necessário com apoio de Ana Portela
O presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, o Papy (PSDB), admitiu que articulou para adiar a instalação da CPI dos Buracos antes das eleições.
Segundo ele, a intenção era evitar que a investigação se transformasse em palanque eleitoral para a esquerda ou a direita. Apesar da tentativa de postergar a comissão, o tucano prevê que a apuração poderá se tornar a “maior CPI da história” da Capital.
O requerimento apresentado pela vereadora Luiza Ribeiro (PT) já conta com nove assinaturas e precisa de mais uma para atingir o mínimo regimental necessário à criação da comissão. A vereadora Ana Portela (PL) anunciou que será a décima parlamentar a apoiar a investigação, abrindo caminho para o avanço do pedido.
Durante a sessão desta quinta-feira (15), Papy negou que tenha feito manobras para impedir a abertura da CPI. A declaração ocorreu após relatos de vereadores convocados para uma reunião com o presidente da Casa, na qual ele teria pedido que a investigação fosse deixada para depois das eleições.
“Não tem manobra”, afirmou Papy, ao justificar que sua preocupação era impedir que a situação das ruas fosse explorada eleitoralmente. “Mas se a CPI virar o palanque da esquerda e direita, perdemos a chance de levar o assunto pra onde precisa de fato”, declarou.
O presidente argumentou, conforme O Jacaré, que a disputa política poderia desviar o foco do objetivo principal da investigação. Ele citou que a prefeita Adriane Lopes é de direita, assim como o governo estadual, enquanto o pedido de abertura da CPI foi apresentado pelo PT.
Na avaliação de Papy, a Câmara precisa conduzir a apuração sem permitir que as divergências partidárias se sobreponham aos problemas enfrentados pela população.
Papy também afirmou que o número de apoiadores da comissão poderá aumentar significativamente. “Possivelmente teremos mais de 20 assinaturas”, projetou, ao dizer que pretende liberar os vereadores para aderirem ao requerimento.
Em meio à discussão, o presidente da Câmara reconheceu as dificuldades enfrentadas pela administração municipal diante dos problemas da cidade. “Você sabe de política e sabe o tanto que tô trabalhando pra isso não explodir, porque o Executivo perdeu a mão e a capacidade de lidar com os problemas”, afirmou.
Apesar de negar qualquer tentativa de proteger a prefeita Adriane Lopes, Papy insistiu que não pretende impedir a investigação. “Se fosse pra evitar não deixaria chegar a 11 assinaturas”, declarou.
“E não tô fazendo nada pra prejudicar a Adriane ou impor mais dificuldades. Só cumprindo meu papel de Câmara e poder fiscalizador”, acrescentou.
A CPI dos Buracos pretende investigar as causas da buraqueira nas ruas de Campo Grande e apurar responsabilidades diante de um problema que afeta diretamente os moradores. Até o momento, assinaram o requerimento Luiza Ribeiro (PT), autora do pedido, Jean Ferreira (PT), Landmark Rios (PT), Marquinhos Trad (PV), Maicon Nogueira (PP), André Salineiro (PL), Ronilço Guerreiro (Podemos), Veterinário Francisco (União Brasil) e Flávio Cabo Almi (PSDB).
Com o apoio anunciado de Ana Portela, o pedido deverá alcançar o mínimo regimental para a criação da comissão. Papy, por sua vez, aposta que a investigação poderá reunir mais de 20 vereadores e se tornar uma das maiores já realizadas pela Câmara Municipal de Campo Grande.




