Para o parlamentar é necessário um constante policiamento no Centro da cidade e controle da população de rua, com políticas públicas eficientes
A situação do Centro de Campo Grande é um tema que vem sendo discutido na Câmara Municipal há tempos. Na sessão desta terça-feira (14), o vereador Epaminondas Vicente Neto, o Papy, presidente da Casa de Leis, usou a Palavra Livre para debater o aumento da falta de segurança dos comerciantes e a iluminação precária na região. Os problemas foram apresentados ao presidente Papy pelos representantes do Conselho Regional Urbano do Centro em reunião que aconteceu ontem (13), no estade da Casa de Leis na Expogrande.
“Recebi reclamações, tanto da Associação Comercial, quanto da Câmara de Dirigentes Lojistas e do Conselho da Região Central, sobre a insegurança no Centro e quero fazer aqui uma crítica ao Executivo Municipal, que tem deixado a desejar na manutenção da região. Nós ouvimos ontem, na reunião com os conselheiros, que é a região que mais oferece infraestrutura para os seus moradores. Ele já tem saneamento básico, ele é todo asfaltado, tem a iluminação de LED, tem tudo o que os bairros gostariam de ter em questão de infraestrutura. Porém, o videomonitoramento que foi feito no Centro da cidade não está funcionando. Na hora que o sol se põe, a insegurança toma conta dos empreendimentos. Há uma sequência de furtos recorrentes quando as lojas se fecham”, criticou o presidente da Câmara.
Para o parlamentar é necessário um constante policiamento no Centro da cidade e controle da população de rua, com políticas públicas eficientes, coordenadas com a Saúde Pública e com a Assistência Social de Campo Grande, num princípio de transversalidade da atuação do Poder Público.
“Não é só a questão de polícia na rua, mas é coordenado com as outras políticas, como a Assistência Social. Essas pessoas estão vivendo na vulnerabilidade e dependentes químicos, que estão vivendo da violência para manter o seu próprio vício, estão desassistidos pelo Município. E quem paga a conta é o empresário que tem uma carga tributária altíssima, que tem uma folha salarial altíssima e, quando chega de manhã no seu empreendimento, está com a porta arrombada e com o caixa violado, e o pouquinho que conseguiu arrecadar foi furtado”, alertou Papy.
Na avaliação do vereador Beto Avelar (PP), é necessário unir forças para resolver o problema dos moradores de rua e usuários de drogas. “Essa questão dos moradores de rua, usuários de drogas, mais voltada para a periferia, que nós estamos observando hoje, o local para essas pessoas é o que menos importa. A partir do momento que tem uma repressão, eles modificam de lugares, ou seja, partem para um outro lugar, e isso aí não é só na nossa Capital. Isso aconteceu em São Paulo, onde existia a Cracolândia e ela acabou, ou seja, houve a repressão e mudou de lugar. O problema é extremamente complexo. Muitas vezes a gente pode falar que é só um problema de saúde, mas envolve o social, envolve a segurança pública. A ideia que o senhor presidente passa é a mesma que eu compartilho”, afirmou Beto Avelar.
A vereadora Luiza Ribeiro (PT) destacou a preocupação do presidente Papy com a ocupação dos espaços públicos da cidade, seguindo o que está definido no Plano Diretor. “A área central é importantíssima para ser reabilitada, para ser incentivada. E para ser cuidada com os instrumentos da segurança pública também. Com o abandono acaba aparecendo uma série de situações que trazem prejuízo a quem está lá e a gente vê a Planurb autorizar construções na área de amortização do Parque dos Poderes. Portanto, está deixando de incentivar a autorização para crescimento de empreendimentos ali na região central”, pontuou.
Papy lembrou da participação direta da Câmara de Vereadores para viabilizar o investimento do novo proprietário do hotel Campo Grande. “Temos aqui um Prodes revolucionário, que não doa a área, mas que incentiva a instalação de um empreendimento no centro de Campo Grande, de R$ 50 milhões.
Outra questão levantada na sessão de hoje foi em relação ao IPTU na região central. Para o presidente da Câmara, com a alíquota mais alta, afastam-se os investimentos habitacionais na área, mas essa é uma situação que já está sendo avaliada pelo Legislativo para poder atrair moradores.
O vereador Ronilço Guerreiro (Podemos) apontou a questão cultural na região Central. De acordo com ele, a Câmara aprovou o projeto que transforma a Rua 14 de Julho em Corredor Gastronômico, mas a falta de segurança e outros fatores impedem a mudança. Ainda contribuíram com o debate os vereadores Rafael Tavares (PL) e Veterinário Francisco (União Brasil).
Por fim, Papy apresentou um ofício à Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) cobrando informações sobre a falta de iluminação na região central e outro ofício à Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social (Sesdes) sobre a falta de policiamento.
“Fecho esse assunto dizendo o seguinte: Vossas Excelências acompanharam no Orçamento do ano passado a maior arrecadação de Cosip (Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública) da história de Campo Grande. Se somarmos a Cosip no Mato Grosso do Sul, ela é a maior arrecadação do Brasil. São quase R$ 200 milhões que Mato Grosso do Sul arrecadou com a cobrança de custeio para a melhoria da iluminação pública. E quando você pega aqui Campo Grande, o Centro está sem iluminação, o que dirá nos bairros? Então, fazemos aqui o enfrentamento público para pôr o dedo na ferida. O que está acontecendo?”, questionou Papy.






