Reconhecer os sinais, chamar o SAMU e iniciar as compressões são medidas que podem fazer diferença até a chegada da equipe
Uma pessoa cai de repente, não responde quando é chamada e começa a respirar de forma irregular. Em uma situação como essa, os próximos minutos podem ser decisivos. Reconhecer uma possível parada cardiorrespiratória e iniciar o atendimento rapidamente pode aumentar as chances de sobrevivência até a chegada da equipe de emergência.
No Brasil, as doenças cardiovasculares provocam cerca de 400 mil mortes por ano, segundo dados do Ministério da Saúde e do Cardiômetro da Sociedade Brasileira de Cardiologia. A parada cardiorrespiratória pode acontecer em diferentes situações e locais, como em casa, no trabalho, durante uma atividade física ou em espaços públicos.
O primeiro sinal é a falta de resposta. Se a pessoa não reage quando é chamada, é preciso observar rapidamente se ela está respirando normalmente. O movimento do peito e da barriga deve ser verificado por no máximo dez segundos. Puxadas de ar fracas e irregulares, semelhantes a um soluço ou ronco, não são consideradas uma respiração normal.
Para quem não é profissional da saúde, não é necessário perder tempo tentando encontrar o pulso. Diante de uma pessoa inconsciente que não respira normalmente, a orientação é considerar uma possível parada cardíaca e iniciar o atendimento.
O primeiro passo é acionar o SAMU pelo número 192. Se houver outras pessoas no local, uma delas pode fazer a ligação enquanto outra começa as compressões. Caso esteja sozinho, o telefone pode ser colocado no viva-voz para que o atendimento seja feito seguindo as orientações do profissional do SAMU.
A vítima deve estar deitada de barriga para cima, em uma superfície firme. As mãos devem ser posicionadas no centro do peito, uma sobre a outra, com os braços esticados. Em adultos, as compressões precisam ter cerca de cinco centímetros de profundidade e seguir um ritmo de 100 a 120 movimentos por minuto.
O médico Luiz Gustavo Orlandi, diretor e instrutor da CoreHelp, explica que as compressões ajudam a manter a circulação do sangue e o fornecimento de oxigênio para o cérebro e outros órgãos enquanto o coração não consegue cumprir essa função.
Um dos principais receios de quem presencia uma parada cardíaca é machucar a vítima durante o atendimento. Fraturas de costela podem acontecer, principalmente entre idosos, mas o medo de causar uma lesão não deve impedir a realização das compressões. Sem circulação, órgãos como o cérebro deixam de receber oxigênio e podem sofrer danos permanentes em poucos minutos.
Outro recurso que pode ser utilizado é o desfibrilador externo automático, o DEA. O equipamento costuma estar disponível em locais de grande circulação e pode ser utilizado por pessoas sem formação na área da saúde. Ao ser ligado, o próprio aparelho orienta o usuário sobre a colocação das pás, analisa o ritmo cardíaco e informa quando o choque deve ser aplicado.
Durante a análise do aparelho e a aplicação do choque, ninguém deve tocar na vítima. Depois, as compressões precisam ser retomadas imediatamente, conforme as orientações do DEA.
Também existem erros que devem ser evitados. Não é recomendado oferecer água, jogar álcool na pessoa, apenas sacudi-la para tentar acordá-la ou esperar a ambulância chegar antes de começar o atendimento. As compressões também precisam ser feitas sobre uma superfície firme, e não em camas ou sofás.
Mesmo com orientações relativamente simples, muita gente ainda não sabe como agir diante de uma emergência. Um levantamento da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, com 1.765 entrevistados, mostrou que 44% não sabiam acionar corretamente o SAMU.
Para o instrutor Denis Corrêa, da CoreHelp, o resultado reforça a importância de ampliar o conhecimento sobre primeiros socorros para além dos profissionais da saúde. Segundo ele, qualquer pessoa pode se deparar com uma parada cardíaca e precisar tomar uma decisão rápida antes da chegada do atendimento especializado.
Além de buscar informação, a recomendação dos especialistas é investir em treinamento. A prática permite aprender as compressões, conhecer o funcionamento do DEA e entender a sequência de atendimento. Em uma situação real, esse preparo pode ajudar a reduzir a insegurança e tornar a resposta mais rápida.






