Programa estadual reúne segurança, assistência e acolhimento para ajudar vítimas a romper ciclos de violência
Romper o ciclo da violência doméstica muitas vezes depende de uma rede de apoio preparada para acolher, proteger e orientar. Em Mato Grosso do Sul, novas estratégias de atendimento buscam ampliar esse suporte às mulheres, com ações que vão desde a prevenção até o acompanhamento após a denúncia.
Uma das iniciativas é o Protege, Programa Estadual de Prevenção e Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, criado para integrar diferentes áreas do poder público, como segurança, assistência social, educação e geração de oportunidades.
A proposta é garantir que a mulher em situação de violência tenha acesso não apenas ao registro da ocorrência, mas também a atendimento psicológico, orientação jurídica, proteção policial e suporte para reconstruir a própria vida.
A história de D.B.L. mostra a importância desse acolhimento. Após anos de humilhações, agressões psicológicas e violência patrimonial, ela sofreu uma tentativa de estrangulamento dentro de casa, quando o filho mais novo tinha apenas nove meses.
O episódio fez com que ela buscasse ajuda. A primeira orientação veio de uma organização comunitária, que indicou o caminho até a Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande. No local, ela recebeu atendimento psicológico e jurídico, além de apoio para enfrentar o processo de separação e garantir os direitos dos filhos.
“Na Casa da Mulher Brasileira fui acolhida, ouvida e respeitada. Encontrei profissionais que me ajudaram a reconstruir minha vida em um dos momentos mais difíceis”, relatou.
Atendimento mais próximo das vítimas
Entre as ações de fortalecimento da rede estão as Salas Lilás, espaços reservados dentro de delegacias para atendimento humanizado de mulheres, crianças e adolescentes vítimas de violência.
Com a implantação de uma unidade em Corumbá, Mato Grosso do Sul chegou a 66 Salas Lilás em funcionamento. O objetivo é evitar que vítimas precisem relatar situações de violência em ambientes inadequados, reduzindo o constrangimento e a chamada revitimização.
O Estado também conta com a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas na Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande, além de outras unidades especializadas no interior.
Medidas para agir antes do crime mais grave
Dados mostram que muitos casos de feminicídio são antecedidos por sinais de alerta, como ameaças, perseguição, controle da rotina, isolamento, ciúmes excessivos e agressões que se tornam cada vez mais frequentes.
Por isso, a atuação das forças de segurança passou a priorizar a identificação de situações de maior risco.
A Polícia Civil implantou protocolos para acompanhar casos considerados graves e monitorar vítimas e autores reincidentes, buscando evitar que a violência evolua para um desfecho fatal.
Outro avanço foi a integração entre instituições por meio do IntegraJus Mulher, sistema que agiliza a comunicação de medidas protetivas entre o Judiciário e as forças de segurança.
Proteção além da denúncia
Especialistas reforçam que muitas mulheres deixam de procurar ajuda por medo, dependência financeira, preocupação com os filhos ou falta de uma rede de apoio.
Por isso, as ações também incluem iniciativas voltadas à autonomia financeira, capacitação profissional e ampliação de serviços especializados no interior do Estado.
O governo anunciou a expansão dos Centros Especializados de Atendimento à Mulher, à Criança e ao Adolescente em Situação de Violência (Ceamcas) para municípios do interior, com atendimento psicossocial e integração com a rede local.
A orientação é que qualquer mulher em situação de violência procure ajuda pelos canais oficiais. A denúncia pode ser feita pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, ou pelo 190, em casos de emergência



