Expansão da indústria e do agronegócio cria novas oportunidades, mas aumenta a demanda por trabalhadores qualificados
Mato Grosso do Sul vive um novo momento na economia, com a chegada de grandes investimentos e a expansão de setores como indústria, agroindústria, bioenergia, logística e serviços. A carteira de empreendimentos privados no Estado reúne mais de R$ 115 bilhões em projetos concluídos, em execução ou previstos até 2030, com potencial para gerar pelo menos 18 mil empregos diretos.
O crescimento também começa a mudar o perfil do mercado de trabalho. Em algumas áreas, empresas já encontram dificuldades para preencher vagas por falta de profissionais com a qualificação exigida. O cenário coloca a formação de mão de obra entre os principais desafios para acompanhar o ritmo de expansão da economia.
A diretora-presidente da Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul (Funtrab), Marina Hojaij Carvalho Dobashi, afirma que o Estado vive um mercado de trabalho aquecido e que a demanda por profissionais preparados acompanha o avanço dos investimentos.
“Hoje podemos afirmar que Mato Grosso do Sul vive um mercado de trabalho aquecido. O crescimento econômico, aliado aos grandes investimentos privados e às políticas públicas voltadas à empregabilidade, tem ampliado significativamente a oferta de vagas. Em algumas áreas, o desafio já não é criar empregos, mas formar profissionais qualificados para atender à demanda das empresas”, afirma.
Uma das estratégias adotadas pelo Estado é aproveitar a força do agronegócio para ampliar a industrialização da produção. A ideia é fazer com que mais produtos sejam processados dentro de Mato Grosso do Sul antes de chegar a outros mercados, agregando valor à produção e movimentando também outros setores da economia.
Esse processo já pode ser percebido em municípios como Inocência, Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e Chapadão do Sul, que recebem investimentos ligados à indústria, agroindústria, energia e logística.
Dos mais de R$ 115 bilhões previstos na carteira estadual entre 2023 e 2030, cerca de R$ 27 bilhões já foram concluídos, enquanto aproximadamente R$ 60 bilhões estão em execução. Outros R$ 29 bilhões correspondem a projetos previstos para os próximos anos.
A indústria atualmente representa 22,4% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul. Além dos empregos diretamente ligados às fábricas e empreendimentos, a movimentação também impacta transportadoras, fornecedores, comércio, construção civil e empresas de serviços.
Investimento também exige infraestrutura
A chegada de grandes empresas, porém, não depende apenas de incentivos para instalação. A infraestrutura das cidades e a disponibilidade de trabalhadores preparados também pesam na decisão dos investidores.
Para o governador Eduardo Riedel, estradas, energia, internet, saneamento, matéria-prima e mão de obra são fatores considerados pelas empresas antes de escolher onde instalar uma nova unidade.
“Ser um Estado verdadeiramente atrativo requer visão de futuro, planejamento e muito trabalho”, afirma.
O crescimento econômico também traz impactos para os municípios que recebem os empreendimentos. Com a chegada de novos trabalhadores, aumenta a demanda por moradia, escolas, unidades de saúde, transporte, comércio e outros serviços.
Por isso, o desafio passa a ser fazer com que o crescimento dos investimentos seja acompanhado pela estrutura necessária para atender a população e pelos profissionais capazes de ocupar as novas vagas.
Qualificação vira prioridade
Com o mercado de trabalho aquecido, a qualificação profissional ganha espaço como uma das principais necessidades para os próximos anos. A intenção é preparar trabalhadores para as funções que surgem com a modernização da indústria e o avanço de novas cadeias produtivas.
O desafio é fazer com que a população local consiga aproveitar essas oportunidades, evitando que as empresas precisem buscar profissionais especializados em outras regiões.
Mato Grosso do Sul já possui a sétima maior renda média do trabalhador do país, segundo os dados apresentados pelo governo estadual. A expectativa é que a continuidade dos investimentos contribua para ampliar a oferta de empregos e elevar ainda mais a renda.
A transformação econômica, portanto, vai além da instalação de novas fábricas. O objetivo é criar uma cadeia capaz de movimentar diferentes setores, gerar empregos e manter uma parcela maior da riqueza produzida dentro do próprio Estado.
Para que esse movimento se traduza em desenvolvimento regional, o próximo passo é garantir que os investimentos encontrem trabalhadores preparados e que as cidades tenham estrutura para acompanhar o crescimento. Assim, a industrialização da produção do campo pode representar não apenas novas empresas, mas também mais emprego e renda para os sul-mato-grossenses.






