Representação pede investigação por possível violência política de gênero e medidas para conter disseminação do conteúdo
A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) encaminhou, nesta terça-feira (30), uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando a abertura de investigação sobre declarações do comentarista Paulo Figueiredo. Segundo a parlamentar, as falas podem configurar violência política de gênero e discurso misógino contra mulheres.
A iniciativa foi motivada por declarações feitas durante um podcast transmitido dos Estados Unidos. Na ocasião, Figueiredo afirmou que “mulher vota muito mal”, sugeriu que mulheres casadas tendem a seguir a orientação política dos maridos e utilizou expressões ofensivas e de cunho sexual ao se referir à participação feminina na vida pública. Após a repercussão, ele voltou às redes sociais para reiterar e intensificar as declarações.
Para Soraya, o caso não se limita a ataques individuais e contribui para reforçar estereótipos que desqualificam a presença das mulheres em espaços de decisão. “Independentemente de quem seja a mulher atacada, quando uma é alvo de violência política de gênero, todas são atingidas. Não podemos naturalizar discursos que tentam diminuir a voz feminina ou afastá-la da vida pública”, afirmou.
A senadora sustenta que manifestações desse tipo ultrapassam os limites da crítica política e podem gerar constrangimento, intimidação e desestímulo à participação das mulheres. No documento, ela pede que o Ministério Público Federal apure possíveis infrações previstas na legislação brasileira.
Além da investigação, Soraya solicita a preservação de provas digitais, como o vídeo original e publicações nas redes sociais, incluindo dados de alcance e repercussão. A representação também requer a adoção de medidas cautelares para restringir temporariamente a divulgação do conteúdo relacionado ao caso enquanto as apurações estiverem em andamento.
O texto destaca ainda que, embora as declarações tenham sido feitas a partir dos Estados Unidos, os efeitos atingem o Brasil, o que, segundo a senadora, não afasta a competência das autoridades brasileiras para investigar o caso.
“Não se trata de defender uma pessoa ou um posicionamento político, mas de garantir um princípio: nenhuma mulher pode ser desqualificada ou intimidada por exercer seu direito de participar da vida pública”, concluiu.



