Projeto usa história infantil, atividades artísticas e teatro para ajudar crianças a identificar situações de violência
Cerca de 100 alunos do 5º ano de uma escola municipal de Campo Grande participaram, nesta terça-feira (15), de uma apresentação teatral que abordou a violência doméstica de forma adaptada ao público infantil. A atividade fez parte do projeto “Clarisse me disse”, que utiliza literatura, arte e teatro para conversar com crianças sobre respeito e relações sem violência.
A primeira apresentação foi realizada na Escola Municipal Consulesa Margarida Maksoud Trad e reuniu 96 estudantes de três turmas. A história apresentada foi inspirada no livro “Clarisse me disse”, que conta, pelo olhar de uma criança, situações relacionadas à violência dentro de casa.
Antes de assistir à peça, os alunos já haviam trabalhado o tema em sala de aula. Com a orientação dos professores, participaram de atividades como desenhos, pinturas e outras produções artísticas relacionadas à história.
A ideia é que o assunto seja apresentado de maneira adequada à idade das crianças, que têm entre 10 e 11 anos. Com o teatro, a história ganhou outra forma e abriu espaço para que os estudantes refletissem sobre respeito, igualdade e convivência sem violência.
Depois da apresentação, os alunos receberam exemplares do livro que inspirou a peça. A atividade também permitiu que professores observassem possíveis situações relatadas pelas próprias crianças durante o trabalho em sala.
Segundo a coordenação pedagógica da escola, algumas crianças identificaram nas atividades situações de violência que já haviam presenciado ou vivido dentro de casa. A partir desses relatos, a escola deverá avaliar cada caso individualmente e buscar os encaminhamentos necessários.
O projeto foi lançado no fim de agosto e deve alcançar mais de 300 estudantes do 5º ano de escolas municipais de Campo Grande e Ponta Porã. A escolha das unidades levou em consideração regiões com maior vulnerabilidade social e exposição a situações de violência.
Em Campo Grande, outras quatro escolas também participam da iniciativa e devem receber apresentações teatrais e os livros ao longo desta semana.
Além das atividades na capital, o projeto prevê a distribuição da obra para estudantes de Ponta Porã e a tradução do livro para o guarani-kaiowá, ampliando o acesso ao conteúdo entre crianças indígenas.
A proposta é utilizar a arte como uma forma de prevenção e, ao mesmo tempo, criar um ambiente em que crianças possam reconhecer situações de violência e saber que podem procurar ajuda.






