Planejamento ajuda a evitar quedas, falta de remédios e outros riscos
Os temporais dos últimos dias em Mato Grosso do Sul deixaram ruas alagadas, árvores e postes derrubados, imóveis danificados e bairros inteiros sem energia. Para pessoas idosas, situações como essas podem representar um risco ainda maior, principalmente para quem tem dificuldade de locomoção, faz uso contínuo de medicamentos ou depende de equipamentos elétricos.
Em Mato Grosso do Sul, cerca de 391 mil pessoas têm 60 anos ou mais, segundo o Censo 2022 do IBGE. Por isso, especialistas orientam que as famílias se antecipem aos períodos de chuva e deixem definido o que fazer caso seja necessário enfrentar uma emergência dentro ou fora de casa.
O primeiro cuidado é manter os principais contatos de emergência em um local de fácil acesso. SAMU, pelo 192, Polícia Militar, pelo 190, Corpo de Bombeiros, pelo 193, e Defesa Civil, pelo 199, devem estar salvos no celular e, de preferência, também anotados em um ponto visível da residência. O contato da concessionária de energia também deve estar disponível para situações de falta de luz prolongada.
Outro ponto importante é a organização dos medicamentos. Quem faz tratamento contínuo deve acompanhar o estoque e evitar que os remédios acabem justamente durante um período em que sair de casa pode ser difícil. Receitas, documentos pessoais e contatos de médicos e familiares também podem ser mantidos juntos, facilitando o atendimento caso o idoso precise deixar a residência.
A família também deve combinar antecipadamente quem será responsável por ajudar o idoso em uma emergência. É importante ter pelo menos uma segunda pessoa de referência caso o primeiro contato não consiga chegar ao local. Para quem mora sozinho, vizinhos ou cuidadores de confiança podem ser avisados sobre as necessidades do morador e saber quem procurar caso alguma situação aconteça.
Dentro de casa, corredores, portas e passagens devem permanecer livres. As chaves precisam estar sempre no mesmo lugar e uma lanterna deve ficar em um ponto de fácil acesso. Se o idoso tem dificuldade para caminhar ou utiliza cadeira de rodas, a família deve definir previamente quem poderá ajudá-lo e qual será a maneira mais segura de deixar o imóvel, caso isso seja necessário.
A falta de energia também merece atenção. Além de aumentar o risco de quedas no escuro, uma interrupção prolongada pode comprometer equipamentos utilizados pelo idoso e até a conservação de medicamentos que precisam permanecer refrigerados. Por isso, a família deve saber quais aparelhos não podem ficar sem energia e quais alternativas podem ser adotadas nesses casos.
Durante a tempestade, sair de casa sem necessidade pode aumentar os riscos. Fios elétricos caídos, ruas alagadas, árvores instáveis e objetos levados pelo vento podem provocar acidentes. Se o imóvel estiver seguro, o ideal é permanecer em um local protegido até que as condições melhorem. Caso exista risco dentro da residência, a retirada deve seguir as orientações dos órgãos de emergência e ser feita por um caminho seguro.
Os cuidados continuam depois que a chuva passa. Piso molhado, objetos espalhados, galhos, fios elétricos e estruturas danificadas podem provocar quedas e outros acidentes. Antes de permitir que o idoso circule normalmente pela casa, é importante verificar se há água no chão, obstáculos nos corredores ou qualquer alteração que possa dificultar a locomoção.
A recomendação dos especialistas é que esse planejamento seja feito antes da emergência. Com medicamentos organizados, contatos de emergência disponíveis, uma rota de saída definida e familiares ou pessoas de confiança preparados para ajudar, a família reduz a necessidade de improvisar e aumenta a segurança do idoso durante e depois de um temporal.






