Com a liquidação de instituições financeiras pelo Banco Central (BC) desde o fim de 2025, notícias e rumores sobre a saúde de bancos passaram a circular com mais frequência, nem sempre com informações corretas. Para o consumidor e o investidor, saber diferenciar alertas reais de fake news é essencial para proteger seu dinheiro e tomar decisões seguras.
Existem ferramentas oficiais, indicadores públicos e sinais objetivos que permitem avaliar a situação financeira de um banco em funcionamento no Brasil. Nem toda notícia alarmista sobre instituições financeiras é verdadeira.
Notícias relacionadas:Conselho amplia poderes do FGC para socorrer banco antes da liquidação.Banco Will: entenda como funciona a liquidação e os impactos da medida.Antes de agir por medo, o consumidor deve consultar fontes oficiais, analisar indicadores e desconfiar de promessas exageradas. A informação de qualidade continua sendo a melhor defesa contra boatos e prejuízos.
Confira o passo a passo para conferir se uma notícia negativa procede ou se é apenas desinformação.
1. Consulte se o banco é autorizado pelo Banco Central
O primeiro passo é verificar se a instituição é autorizada e supervisionada pelo Banco Central do Brasil.
Isso pode ser feito no site do BC, no caminho: Meu BC → Serviços → Encontre uma instituição.
Bancos não autorizados não podem operar no sistema financeiro nacional.
2. Use bases oficiais de dados
Três tipos de plataforma concentram informações confiáveis:
Central de Demonstrações Financeiras (CDSFN), do Banco Central: na mesma página do serviço Encontre uma Instituição, com o seguinte caminho: digitar o nome da instituição → clicar no resultado → clicar em Central de Demonstrações Financeiras;
Site Banco Data: organiza dados financeiros de forma acessível, com esquemas visuais e cores (verde, laranja e vermelho) para indicar o risco de cada indicador;
Site de Relações com Investidores (RI) de cada instituição: cada instituição autorizada pelo BC é obrigada a manter uma página de relação com investidores, com todas as informações financeiras e com resumos de fácil leitura. Caminho: digitar em qualquer site de busca o nome da instituição + RI.
Esses sistemas permitem analisar balanços, resultados e indicadores de risco.
3. Avalie os principais indicadores de solidez
Índice de Basileia: mede a relação entre capital próprio e riscos assumidos.
>> Mínimo exigido no Brasil: 11% para instituições em geral, 13% para bancos cooperativos;
>> Índice confortável: acima de 15%;
>> Um índice de Basileia 11% significa que, para cada R$ 100 emprestados, a instituição tem 11% de recursos próprios (dos sócios e dos acionistas);
>> Quanto maior, mais capacidade o banco tem de absorver perdas.
Lucro líquido recorrente: lucros consistentes ao longo do tempo indicam boa gestão.
Inadimplência da carteira de crédito: percentual de empréstimos vencidos há mais de 90 dias. Índices elevados são sinal de risco.
Índice de imobilização: mostra quanto do capital está preso em ativos fixos (como imóveis que não podem ser vendidos em momentos de crise); valores altos reduzem a liquidez.
Rating de crédito: notas atribuídas por agências como Moody’s, S&P e Fitch. Rebaixamentos sucessivos acendem o alerta. No caso do Banco Master, no entanto, várias agências atribuíam nota alta e risco baixo à instituição.
4. Verifique a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos
Para quem investe, é fundamental confirmar se o banco é coberto pelo FGC, que garante até R$ 250 mil por Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), com teto global de R$ 1 milhão pago a cada quatro anos.
O FGC cobre os seguintes recursos e investimentos:
Contas correntes e poupança;
CDB e RDB;
Letras financeiras dos seguintes tipos: LCI, LCA, LC, LH, LCD;
Depósitos a prazo;
Operações compromissadas com títulos elegíveis.
Em caso de liquidação, o FGC é o caminho para recuperar os valores dentro do limite.
Recursos e investimentos não cobertos pelo FGC:
CRI e CRA;
Debêntures;
Letras financeiras dos seguintes tipos: LF, LI, LIG;
Títulos públicos, porque esses papéis são cobertos pelo Tesouro Nacional;
Títulos de capitalização;
Fundos de renda fixa: em caso de quebra, têm CNPJ separado da instituição e podem ir para outro gestor;
Depósitos no exterior;
Depósitos judiciais.
O correntista deve estar ciente de que perderá esses valores em caso de quebra da instituição.
5. Desconfie de rentabilidade fora do padrão
Bancos pequenos oferecem taxas maiores que bancos grandes e de baixo risco;
Bancos em dificuldade podem oferecer taxas muito acima da média do mercado para captar recursos rapidamente;
Retornos extraordinários quase sempre vêm acompanhados de maior risco;
No caso de CDBs, a taxa máxima recomendada está em 115% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). O Banco Master oferecia taxas de 140% do CDI.
6. Fique atento aos sinais de alerta
Não é possível prever com exatidão se um banco será liquidado, mas alguns indícios ajudam:
Queda contínua do Índice de Basileia;
Prejuízos recorrentes nos balanços;
Rebaixamento de rating;
Notícias sobre investigações ou intervenção;
Ofertas agressivas de captação;
Entrada em regimes especiais do Banco Central, como o Regime de Administração Especial Temporária (RAET).
No caso do Will Bank, liquidado recentemente, o Índice de Basileia estava negativo em 5,3% em junho de 2024. O Índice de Imobilização estava negativo em 1,9% na mesma data, mesmo com lucro líquido de R$ 55,5 bilhões.
7. Compare com investimentos mais seguros
Para reduzir riscos, especialistas destacam:
Tesouro Direto: risco de crédito considerado o menor do país;
CDBs, LCIs e LCAs de grandes bancos, com alta solidez e proteção do FGC.
