No Dia Mundial da Saúde Mental, especialista do Humap-UFMS destaca os impactos da cobrança excessiva por produtividade e orienta sobre a importância de respeitar os próprios limites
Descansar nem sempre é fácil. Para muitas pessoas, parar por alguns minutos significa lembrar das tarefas pendentes, sentir culpa ou acreditar que deveriam estar fazendo algo mais produtivo. Esse comportamento, associado à cobrança excessiva e à necessidade constante de apresentar resultados, pode prejudicar a saúde física e mental.
No Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado em 10 de outubro, o psicólogo Thiago Ayala, da Unidade Multiprofissional do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), integrante da HU Brasil, alerta para a importância de compreender o descanso como uma necessidade básica, e não como recompensa após cumprir todas as obrigações.
Segundo o especialista, a dificuldade de desacelerar pode estar relacionada à educação, a ambientes exigentes, ao medo de fracassar e à pressão social por produtividade. Em alguns casos, a pessoa passa a associar seu valor pessoal ao que consegue realizar, fazendo com que pausas e dias de menor rendimento afetem a autoestima.
A falta de descanso adequado também pode provocar irritabilidade, dificuldade de concentração, alterações do sono, ansiedade e sensação de esgotamento. Entre os sinais de alerta estão ignorar o cansaço, adiar necessidades básicas e só conseguir parar quando o corpo já está exausto.
Ayala explica que descansar não é o mesmo que procrastinar. Enquanto o descanso permite recuperar a energia física e emocional, a procrastinação envolve adiar tarefas e pode manter a pessoa presa à preocupação com o que precisa fazer.
Para incorporar pausas à rotina, a orientação é começar com pequenas mudanças, como fazer refeições sem trabalhar, ficar alguns minutos longe do celular ou reservar um período para não resolver pendências. Atividades como caminhar, ouvir música, conversar ou simplesmente não fazer nada também podem ajudar.
O psicólogo recomenda ainda mudar a forma de avaliar o dia. Em vez de pensar apenas no que ficou por fazer, vale reconhecer o que foi possível realizar e identificar as próprias necessidades.
Para o especialista, respeitar os limites não significa deixar de ser produtivo, mas entender que o descanso é parte essencial de uma rotina saudável.






