Especialistas orientam sobre prevenção e explicam como agir em situações de emergência
O período de férias escolares pede cuidado extra de pais e responsáveis. Com as crianças mais tempo em casa, em viagens ou em ambientes diferentes da rotina, aumentam os riscos de acidentes como quedas, queimaduras, engasgos, intoxicações e afogamentos.
Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade indicam que acidentes domésticos ainda estão entre as principais causas de mortes de crianças e adolescentes no país. Problemas relacionados à respiração, afogamentos, choques elétricos, quedas e queimaduras aparecem entre as ocorrências mais comuns.
Grande parte desses acidentes pode ser evitada com medidas simples. Segundo o fisioterapeuta e enfermeiro André Luiz Hoffmann, especialista em urgência e emergência, o primeiro passo é observar os ambientes com mais atenção. “Nas férias, a criança passa mais tempo em locais que nem sempre estão preparados para recebê-la. Por isso, é preciso olhar a casa ou o local de passeio a partir da altura da criança, identificando riscos que muitas vezes passam despercebidos pelos adultos”, orienta.
Dentro de casa, a recomendação é proteger janelas e escadas, evitar tapetes soltos e manter objetos cortantes e pequenos fora do alcance. Na cozinha, deve-se priorizar o uso das bocas de trás do fogão, manter os cabos das panelas virados para dentro e evitar manusear líquidos quentes com a criança no colo.
Objetos pequenos, como moedas e peças de brinquedos, podem causar engasgos e exigem atenção. Alimentos como uvas e ovos de codorna devem ser cortados no sentido do comprimento para reduzir riscos.
Fora da rotina, como em viagens ou visitas a familiares, o cuidado deve ser redobrado. A médica pediatra Danielle Priscila Mauro Hoffmann alerta que ambientes diferentes podem não ter estrutura segura. “Um erro comum é acreditar que, por haver muitos adultos no ambiente, a criança está sendo observada. Em reuniões familiares, todos acham que alguém está cuidando, mas nem sempre há uma pessoa realmente responsável naquele momento. O ideal é definir quem fará a supervisão ativa da criança, especialmente perto da água”, explica.
Em piscinas, rios e praias, a vigilância deve ser constante e próxima. O afogamento pode acontecer de forma rápida e silenciosa, por isso a criança deve estar sempre ao alcance de um braço de um adulto. Boias não substituem a supervisão.
Mesmo com prevenção, saber como agir em emergências pode fazer a diferença. Em casos de cortes, a orientação é lavar o local com água e sabão e conter o sangramento com pressão. Em queimaduras, a área deve ser colocada sob água corrente fria por alguns minutos, sem uso de substâncias caseiras.
Situações como batidas na cabeça com sinais de alerta, dificuldade para respirar ou suspeita de intoxicação exigem atendimento médico imediato. No caso de engasgo, é importante observar se a criança consegue tossir; se não conseguir, é necessário iniciar manobras de desobstrução e acionar ajuda.
Para o especialista André Hoffmann, manter a calma é essencial em situações de emergência. “O adulto precisa respirar fundo, avaliar se o ambiente está seguro, chamar ajuda e agir com firmeza. Muitas vezes, na tentativa de ajudar, as pessoas recorrem a mitos populares, como chacoalhar a criança ou aplicar produtos caseiros, o que pode piorar o quadro”, alerta.
A orientação é incluir a segurança no planejamento das férias, revisando os ambientes, organizando a supervisão das crianças e buscando noções básicas de primeiros socorros. Medidas simples podem evitar acidentes e garantir um período mais tranquilo para toda a família.






