Operação Vigília foi deflagrada pelo Gaeco na sexta-feira anterior ao pleito de 2024, atingiu pessoas ligadas à campanha da então prefeita e interferiu diretamente no cenário eleitoral de Sidrolândia
A Justiça Eleitoral de Sidrolândia julgou improcedente a Ação de Investigação Judicial Eleitoral movida pelo Ministério Público Eleitoral contra a ex-prefeita Vanda Camilo (PP), que disputou a reeleição em 2024.
A decisão foi registrada na quarta-feira (4), na 31ª Zona Eleitoral, conforme movimentação processual do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS).
O processo, aberto em dezembro de 2024, apurava suposto abuso de poder econômico ou político durante a disputa pela Prefeitura de Sidrolândia. Mais de dois anos depois da eleição, o pedido formulado pelo Ministério Público foi rejeitado pela Justiça.
A decisão é de primeira instância e ainda cabe recurso.
“Recebo a decisão com serenidade e com a certeza de que a verdade prevaleceu. Desde o início, sustentamos que não houve abuso de poder econômico ou político. A operação realizada na sexta-feira anterior à eleição, a apenas dois dias da votação, teve enorme repercussão e interferiu diretamente no resultado das urnas. Agora, mais de dois anos depois, a Justiça julga improcedente a ação, mas o dano eleitoral causado naquele momento é irreparável”, afirmou Vanda Camilo.
Operação ocorreu dois dias antes da votação
A campanha municipal de 2024 foi marcada pela Operação Vigília, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) em 4 de outubro, justamente na sexta-feira que antecedia o pleito.
Na ocasião, foram cumpridos 13 mandados de busca em residências e cinco em veículos. Entre os endereços estavam locais ligados a coordenadores de campanha, ex-secretários e familiares de Vanda Camilo.
A ação resultou na apreensão de aproximadamente R$ 75 mil em dinheiro, aparelhos celulares, materiais de campanha e listas com nomes de eleitores. Em uma das residências, os investigadores encontraram uma relação com cerca de 900 nomes, acompanhados de valores que variavam entre R$ 150 e R$ 500.
Na época, o Ministério Público informou que investigava suspeitas de compra de votos, coação de eleitores e outros crimes relacionados à disputa eleitoral.
A campanha de Vanda contestou as acusações e declarou que os recursos apreendidos tinham origem lícita e seriam utilizados no pagamento de despesas eleitorais, como fiscais, alimentação e transporte.
Impacto nas urnas
A operação foi realizada quando restavam apenas dois dias para a votação, sem tempo suficiente para que as suspeitas fossem devidamente esclarecidas antes de os eleitores comparecerem às urnas.
Pela dimensão das buscas, pelos alvos escolhidos e pela ampla repercussão das acusações, a ação colocou a candidatura de Vanda no centro de uma suspeita de compra de votos justamente no momento decisivo da campanha.
Vanda acabou derrotada na disputa pela reeleição. Agora, mais de dois anos após uma operação que interferiu diretamente no cenário eleitoral de Sidrolândia, a Justiça julgou improcedente a ação por suposto abuso de poder econômico ou político.
A decisão encerra essa etapa do processo, mas não reverte os efeitos políticos produzidos às vésperas da votação.




